Anais 1988-2018

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Otávio Vieira Passos

Otávio Vieira Passos

Nascido em 3 de maio de 1904, em Chapadinha, filho de Manoel Vieira Passos e Maria Amélia de Morais Passos, fez o curso primário na cidade do Brejo e o ginásio em São Luís. Em Salvador, cursou a Faculdade de Farmácia, diplomando-se em 1925, aos 21 anos. Continuando com os estudos, transferiu-se para o Rio de Janeiro e, na Universidade de Medicina da Praia Vermelha (Universidade Federal do Rio de Janeiro) aos 25 anos concluiu o curso de médico, tendo defendido tese com distinção em 1930. No Maranhão, clinicou vários anos em Caxias e Pedreiras, onde casou-se, em 1935 com Antonia Gilona de Araújo (Ninita), filha de José Araújo e Adélia Gilona de Araújo.

Estabelecido em Pedreiras, onde tinha consultório e Farmácia foi convidado pelo Diretor da Empresa Cotonnière do Brasil, a dar assistência médica a todos os seus funcionários.

Em 1940, participou do Censo na região do Mearim. No governo do Paulo Ramos em 1942 foi nomeado Prefeito de Caxias. Terminado o mandato foi nomeado Inspetor e Diretor do Departamento Regional de Estatística de São Luís. Depois foi transferido para o então território do Acre onde acumulou o cargo de Secretário Geral do Governo e Chefe de Polícia. Convém ressaltar que, em todo esse período sempre exerceu a Medicina e, apesar da falta absoluta de recursos, principalmente no Mearim, ele praticava cirurgia e alta escala, obtendo grandes êxitos, graças aos seus conhecimentos sempre atualizados e renomada força de vontade. Nestes atendimentos, foi quando mais sobressaiu o seu espírito humanitário, pois mesmo não recebendo nenhuma remuneração nunca deixou de atender aqueles que necessitavam dos seus serviços médicos. No governo do Dr. Eugenio de Barros, em 1952, foi nomeado Prefeito de São Luís.

Ao terminar esse mandato seguiu par ao Rio, a chamado do então Ministro do trabalho, Dr. João Goulart onde ficou à sua disposição. Nessa época, clinicou em Deodoro e participou do Trabalho da Merenda Escolar a convite do seu colega e amigo Josué de Castro. Voltou mais tarde ao Maranhão como médico das Endemias Rurais a convite do seu amigo Clodomir Millet. Ao regressar ao Rio, colaborou na Casa de Saúde N. Sa. Aparecida, onde foi acionista sendo depois nomeado médico do antigo IAPEFESP e, posteriormente médico do IAPI, hoje INPS.

Ao gozar as suas primeiras férias de todo esse tempo de trabalho de grandes atividades, ao viajar para o Maranhão sua muito amada terra, ao fazer escala em Salvador para rever os lugares onde estudou, sofreu uma trombose vindo a falecer no Rio onde já residia toda sua família, no dia 12 de janeiro de 1971.

É importante acrescentar que, apesar de ser o primeiro médico filho de Chapadinha nunca lhe foi prestada uma homenagem na área da Saúde.

Anterior a esses 2 casos citados, ao ser chamado para atender a uma gestante sua amiga, fez uma cesariana em plena rua, numa senhora grávida de 9 meses atropelada por um caminhão que lhe esmagou a cabeça, salvando a criança na hora certa.

Antes do aparecimento da penicilina, conseguiu curar 2 pessoas de tuberculose, confirmada, com suas fórmulas manipuladas no seu pequeno laboratório.

No governo do Dr. Eugenio de Barros, em 1952, foi nomeado Prefeito de São Luís. Ao terminar esse mandato, seguiu para o Rio de Janeiro, a chamado do então Ministro do Trabalho, Dr. João Goulart onde ficou à sua disposição. Nessa época, clinicou em Deodoro e participou do Trabalho de Merenda Escolar a convite do seu colega e amigo Josué de Castro. Voltou mais tarde ao Maranhão como médico das Endemias Rurais a convite do seu amigo Clodomir Milet. Ao regressar ao Rio, colaborou na Casa de Saúde N. As. Aparecida, onde foi acionista sendo depois médico do antigo IAPEFESP e, posteriormente médico do IAPI, hoje INPS.

Ao gozar as suas primeiras férias de todo esse tempo de trabalho de grande atividade ao viajar para o Maranhão, sua muito amada terra, acompanhado de Ninita, sua esposa, ao fazer escala em Salvador para rever lugares onde estudou, sofreu uma trombose vindo a falecer no Rio de Janeiro onde já residia toda sua família, no dia 12 de janeiro de 1971.

É importante acrescentar que apesar de ser o primeiro médico filho de Chapadinha, nunca lhe foi prestada uma homenagem na área da Saúde.

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Osvaldo da Costa Nunes Freire

Osvaldo da Costa Nunes Freire

Do enlace matrimonial de Feliciano Antônio Freire com Olindina da Costa Nunes Freire nasceram os filhos Gerson e Osvaldo, netos pelo lado materno de Jefferson da Costa Nunes, prospero fazendeiro, coronel da Guarda Nacional e deputado à Assembléia Legislativa do Maranhão, nos tempos da chamada República Velha.

Após os primeiros estudos na cidade de Coroatá, onde a família também desenvolvia atividade agropecuária, os irmãos Nunes Freire vieram para São Luís.

Osvaldo concluiu o ginásio no Colégio Minerva, do professor Rubem Almeida, os preparatórios no Liceu Maranhense e seguiu para Salvador, onde prestou vestibular para medicina.

Em 1938, na Faculdade de Medicina da Bahia, Osvaldo recebeu o diploma de médico “especialista em partos – diagnóstico precoce da gravidez por processos biológicos, cuidados pré-natal, manobras obstétricas, fórceps, cesarianas com indicação – doenças das senhoras; operações da especialidade e gerais; eletricidade médica”.

No Rio de Janeiro, fez prolongados cursos de aperfeiçoamento em diversos hospitais e maternidades. Foi assistente do pronto socorro e da maternidade das Laranjeiras e segundo-tenente médico do Hospital Central do Exército.

O doutor Nunes Freire, nome o qual Osvaldo passou a ser chamado e conhecido pela vida afora, optou por exercer sua profissão em São Luís, montando consultório, em prédio próprio, na Ladeira do Comércio (atual Rua Humberto Campos), nº 185. Através do telefone 1883 atendia, a qualquer hora, chamadas de pacientes em seus domicílios.

Fazia cirurgias no Hospital Português, era médico do 24º Batalhão de Caçadores e das fábricas de tecidos Camboa, Santa Amélia e São Luís.

Em 1946, o interventor Federal Saturnino Belo nomeou o doutor Nunes Freire, diretor do Departamento de Saúde Pública, atual Secretaria de Saúde. No entanto, foi breve a permanência dele na função.

No ano de 1948, Nunes Freire contraiu núpcias com Delci Teixeira de Araújo, sobrevindo os filhos Luiz Carlos, Luiz Alberto e Francisco Luiz. A família residia na Rua do Passeio, nº 651.

No governo de Sebastião Archer da Silva, o doutor Nunes Freire foi nomeado diretor geral do Pronto Socorro Getúlio Vargas. Contando com o apoio de competente equipe médica, composta dos doutores Zilo Pires, Ives Parga, Joaquim Meneses, João Abreu Reis e Ivaldo Perdigão Freire, de qualificados enfermeiros, auxiliares de enfermagem e pessoal do administrativo, o doutor Nunes Freire conseguiu colocar o Pronto Socorro nos mesmos padrões dos hospitais existentes na cidade. Para tanto, ampliou o ambulatório, dinamizou o setor de emergência, duplicou o número de leitos, adquiriu aparelhos cirúrgicos modernos, comprou uma ambulância para atendimentos externos de emergência e transporte dos enfermos. Também, adquiriu uma mesa operatória própria para a realização de grandes cirurgias, ali efetuadas com êxito, salvando muitas vidas.

O médico Osvaldo da Costa Nunes Freire estreou na política do Maranhão, filiando-se ao partido situacionista, à época, o PST. Amigo de velha data do senador Victorino Freire, de quem não era parente apesar da coincidência do sobrenome, o Nunes Freire integrou, em 1950, a chapa de candidatos daquele partido à Assembléia Legislativa, obtendo expressiva votação.

Sem solução de continuidade das suas atividades médica, Nunes Freire foi deputado estadual no período de 1951 a 1967, pelas legendas do PST (Partido Social Trabalhista), do PSD (Partido Social Democrático) e da UDN (União Democrática Nacional).

Deflagrado movimento de 31 de março de 1964, o deputado Nunes Freire era presidente da Federação da Agricultura e do Serviço Social Rural, atual INCRA. E foi um dos primeiros, senão o primeiro parlamentar a emprestar, publicamente seu irrestrito apoio aos militares.

Extinto os 14 partidos políticos e instituído o bipartidarismo com Aliança Renovadora Nacional (Arena), situacionista, e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), oposicionista, o deputado Nunes Freire filiou-se ao primeiro, de cuja comissão executiva regional foi vice-presidente. No inicio de 1966, foi eleito presidente da Asssembléia Legislativa do Maranhão.

Durante o longo mandato no parlamento estadual, exercido com dignidade e equilíbrio, o deputado Nunes Freire apresentou relevantes projetos sobre saúde pública e agricultura.

No pleito realizado em 03 de outubro de 1966, Nunes Freire foi eleito deputado federal, reelegendo-se em 1970. Na Câmara dos Deputados, manteve o mesmo padrão de comportamento que norteou sua passagem pela Assembléia Legislativa do Maranhão. Foi membro da Comissão de Agricultura, representando o parlamento brasileiro no México, Estados Unidos e Japão.

 A 3 de outubro de 1974, a Assembléia Legislativa do Maranhão, por maioria de votos dos seus membros, elegeu os candidatos homologados pela Convenção da Arena: Osvaldo da Costa Nunes Freire, governador e José Duailibe Murad, vice-governador, com mandato de 15 de março de 1975 a 15 de março de 1979.

No dia 15 de março de 1975, o governador Pedro Neiva de Santana, encerrando seu mandato iniciado em 15 de março de 1971, transmitiu a chefia do Poder Executivo ao vice-governador José Duailibe Murad, substituto legal do governador eleito, que se encontrava em Belo Horizonte, convalescendo de uma cirurgia.

A 31 de março, Osvaldo da Costa Nunes Freire tomou posse do cargo de Governador do Maranhão e cumpriu integralmente seu mandato com austeridade, equilíbrio, respeito à coisa pública, sem abrir mão das suas prerrogativas de governador.

Ao concluir o seu mandato, o governador Nunes Freire teve o cuidado de elaborar um relatório detalhado de todas as realizações do seu governo, as quais, com certeza, foram responsáveis, durante o quadriênio, por avanços no desenvolvimento do estado.

Não há aqui espaço para enumerar todas as incursões feitas nas áreas das Finanças, Planejamento, Administração, Educação, Cultura, Saúde, Saneamento, Habitação, Trabalho e Ação Social, Justiça, Segurança (Polícia Civil e Polícia Militar), Energia Elétrica, Transportes, Obras Públicas e Urbanismo, Agropecuária, Indústria e Comércio e Turismo, contando com recursos oriundos da Receita Estadual (elevada com a modernização da máquina fazendária e contenção de custos operacionais), do Fundo de Participação dos Estados, do Fundo Especial e de diversos Convênios celebrados com Órgãos Federais.

Mas há lugar para destacar algumas delas, como: construção de 5.113 casas nos conjuntos habitacionais: Cohab Anil IV (505), Vinhais (1632), Bequimão (1190) e Rio Anil (365). Inicio da construção do conjunto habitacional da Maioba (Maiobão), compreendendo 4770 casas; construção do matadouro industrial; instalação da usina de beneficiamento de leite; implantação de 572,5 km de rodovias, conservação de 2.500 km de rodovias, pavimentação de 411 km de rodovias; instalação da Ceasa destinada à comercialização de produtos hortifrutigranjeiros; aumento do efetivo da Polícia Militar de 1993 para 2.356 policiais militares, aquisição de 100 viaturas para a Polícia Militar e 25 para a Polícia Civil, criação do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças – CEFAP, instalação da Polícia Rodoviária Estadual, instalação de uma seção de combate a incêndio, unidade do Corpo de Bombeiros, no Aeroporto do Tirirical, instalação de sistemas SSB e VHF para permitir a comunicação permanente entre as diversas unidades físicas do Sistema de Segurança e entre 80 Municípios, conclusão das obras do prédio do Instituto Médico Legal, incluída a etapa destinada ao Instituto de Criminalística; ampliação do sistema de abastecimento de água e da rede de esgoto; ampliação do número de matrículas dos 1º e 2º grau, construção de salas de aula e de colégios; reequipamento do parque gráfico do SIOGE – Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado; aumento substancial de vencimentos salários, chegando mesmo a mais de 1200% em algumas categorias funcionais; consolidação das entidades de crédito estaduais BEM, BDM, COM; início da construção do hospital do IPEM, sendo que algumas dessas obras foram inauguradas com a presença do presidente da República Ernesto Geisel, que veio a São Luís, em 1978, atendendo convite do governador Nunes Freire.

Ainda como realizações do governo merecem destaque: campanhas de controle e erradicação de doenças transmissíveis, construção de postos de saúde, reforma de hospitais, implantação e funcionamento do sistema de serviços integrados de laboratório; ampliação e pavimentação das principais avenidas de São Luís.

No dia 15 de março de 1979, com o pagamento do funcionalismo em dia, com as finanças públicas saneadas, não deixando em ser nenhum débito vencido e como substancial saldo disponível no BEM, o governador Nunes Freire entregou a faixa governamental ao seu sucessor, João Castelo Ribeiro Gonçalves.

O doutor Nunes Freire nasceu no dia 6 de dezembro de 1911, em Grajaú, cidade sertão maranhense e partiu para a eternidade a 7 de junho de 1986, em Brasília, deixando mais pobre a galeria dos homens probos do Maranhão.

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Manoel Bernardino C. Rodrigues

Manoel Bernardino C. Rodrigues

Nascido no Maranhão, na década de 1860, o Dr. Manuel Bernardino da Costa Rodrigues formou-se em medicina, no Rio de Janeiro, e retornou ao seu Estado onde, em São Luís, iniciou suas atividades profissionais. Ainda bem cedo, participou dos movimentos republicanos que levaram à queda a monarquia no Brasil. Com tal espírito, ingressou muito jovem na política pelas mãos do Dr. Carlos Fernando Ribeiro, Barão de Grajaú e chefe do Partido Liberal depois Partido Republicano.

Com a morte do Barão, em 1889, assumiu a chefia do partido, conduzindo-o na oposição às forças políticas, reunidas no Partido Federalista antigo Partido Conservador.

Dentre seus feitos mais importantes, na política do Estado, destacava-se haver presidido a Assembleia Constituinte e promulgado a sua primeira Constituição, em 4 de julho de 1891. Nos primeiros anos da década de 1920, doente, retirou-se para o Rio de Janeiro passando a chefia do Partido Republicano ao Dr. Marcelino Machado, genro de Benedito Leite.

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João Braulino De Carvalho

João Braulino De Carvalho

João Braulino de Carvalho, CRM 21 – MA, nasceu em São Vicente de Ferrer, em 16 de outubro de 1884, filho de João Braulino de Carvalho e Mariana de Mattos Borges de Carvalho, estudou no Seminário Santo Antônio e no Colégio do Professor Machado.

Formou-se em 1908 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese “TUMOR MALIGNO DA LARINGE E SEU TRATAMENTO”, abraçando as especialidades de Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia.

Depois de formado, trabalhou em Belém, capital do estado do Pará, na Santa Casa de Misericórdia, além de ter exercido a função de Delegado Sanitário Municipal.

Submeteu-se a concurso público para Médico Oficial do Exército Brasileiro, obtendo a 1ª classificação. Foi lotado no Hospital Central do Exército na cidade do Rio de Janeiro, onde exerceu o cargo de Auxiliar do Diretor em operações cirúrgicas e responsável pelo Pavilhão de Oficiais. No período, simultaneamente, especializou-se em Bacteriologia no Instituto Manguinhos.

Após quatro anos de serviço no Hospital Central do Exército, foi transferido para o 4º Grupo de Artilharia na cidade de Óbidos, interior paraense. Nesta cidade, construiu um posto de saúde e um pequeno hospital, que servia os municípios de Alenquer, Oriximiná e Faro. O referido hospital foi inaugurado em 07 de setembro de 1922 e recebeu o nome de Santa Casa de Misericórdia, que ainda hoje existe.

Em 1923, foi nomeado pelo Exmo. Sr. Presidente da República, Dr. Artur Bernardes, Médico da Comissão de Limites do Brasil com o Peru, Venezuela e Guiana Inglesa. Estabeleceu residência na cidade de Cruzeiro do Sul, antigo território do Acre, e nesta cidade do interior acreano, fundou outro hospital, dando-lhe o nome de Santa Casa de Misericórdia.

É importante ressaltar sua eficiência na Comissão de Limites. Na primeira expedição que comandou, desenvolveu um longo trabalho de preparação técnica, psicológica e física da turma de trabalhadores civis e militares envolvidos na importante operação. Os trabalhadores, homens de pouca instrução e cultura, na maioria eram pescadores, agricultores, leiteiros, castanheiros e seringueiros, foram recrutados em povoados ribeirinhos e principalmente na cidade Óbidos, no Estado do Pará. Todos eram obrigados a tomar vacinas, pílulas, água fervida e filtrada e a usar mosquiteiros, devido as endemias da região, e camisa de mangas longas, pois no ano anterior, quase que toda Comissão havia falecido por doenças tropicais e infecções. O Dr. João Braulino de Carvalho fez um trabalho excepcional, com fiscalização sistemática e cuidados médicos eficazes, foi recompensado com um resultado brilhante: a expedição obteve êxito em sua missão e nenhum civil ou militar faleceu durante a expedição. Um fato inédito!

Em 1929, após seis anos de dedicação exclusiva às atividades médicas na fronteira, pediu exoneração do cargo, permanecendo como médico do Exército Brasileiro. Recebeu na ocasião o título de Benemérito da Santa Casa de Misericórdia de Cruzeiro do Sul.

Após exoneração voluntária, foi aprovado em 1º lugar para o cargo de Oficial Médico da Missão Francesa no Brasil. Especializou-se em Pediatria e Higiene Infantil no Abrigo Hospital Artur Bernardes.

Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, serviu como Oficial Médico em São Paulo, trabalhando nas ambulâncias de frente, destacando-se em diversas operações de confiança, em face do seu espírito conciliador e de extrema confiança entre os envolvidos no conflito, alcançou êxito em todas as suas missões.

Após o término do conflito, foi transferido para o 24º BC em São Luís, onde permaneceu até 13 de novembro de 1944, quando foi para a reserva do Exército Brasileiro.

Fixando-se em São Luís, instalou seu consultório particular na Praça João Lisboa, nº 66, e dedicou-se à filantropia. Das obras filantrópicas, destaca-se o desvelo à Colônia do Bonfim, principalmente aos filhos sadios dos hansenianos. AO lado do seu sogro, Dr. Anibal Andrade, um dos fundadores do Hospital Português e introdutor do primeiro RX do Maranhão, criou o Dispensário Santo Antônio, mantido graças à dedicação de sua esposa e dos sogros.

Foi Chefe da Clínica Cirúrgica, responsável pela Enfermaria São Cosme e Médico dos Indigentes durante 29 anos na Santa Casa de Misericórdia do Maranhão. Foi Presidente da Associação de Assistência e Proteção à Infância.

Foi Presidente da Cruz Vermelha Brasileira (Filial do Maranhão) e como tal iniciou a construção do Hospital da Cruz Vermelha, hoje Hospital Municipal Djalma Marques.

Instalou quatro Postos de Saúde nos municípios de Grajaú, São José de Ribamar e nos bairros do Desterro e João Paulo. Neste último, dava consultas gratuitas, duas vezes por semana.

Foi Secretário da Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra.

Foi membro da Comissão Estadual de Fiscalização de Entorpecentes no Maranhão e da Sociedade Entomológica do Brasil.

Atuou na política maranhense, elegendo-se Deputado Estadual e como tal, exerceu o cargo de Secretário da Assembleia Legislativa. Foi deputado constitucionalista em 1935.

Atuou nas áreas de Antropologia e Arqueologia, sendo o pioneiro em pesquisas no Maranhão. Foi o primeiro mestre de antropologia maranhense, sendo fundador da referida cadeira na Universidade Federal do Maranhão.

Foi Presidente do instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, para qual consegui inúmeros benefícios, inclusive, a sede própria doada pelo Exmo. Sr. Governador do Estado do Maranhão, Dr. Sebastião Archer da Silva. Conseguiu a edição da revista institucional e a formação de um museu arqueológico e uma biblioteca nas dependências da mesma.

Trabalhou em pesquisas de campo nos sambaquis maranhenses e na floresta Amazônica. Com Antônio Lopes visitou o Cutim-do-Padre escrevendo na revista do Instituo Histórico e Geográfico do Maranhão: NOTAS SOBRE A ARQUEOLOGIA DO MARANHÃO.

Relata escavações feitas na antiga Ilha Grande, quando foram resgatados inúmeros recipientes cerâmicos, destacando-se uma urna contendo cinzas e fragmentos ósseos.

João Braulino de Carvalho estendeu ao ensino sua ação profícua: Professor da Cadeira de Antropologia e Etnografia da Faculdade de Filosofia; Catedrático de História Natural, Botânica Agrícola e Zoologia Agrícola na antiga Escola de Agronomia; foi também Professor na Escola de Técnicos Agrícolas do Maranhão.

Indigenista, informou ao Governo Brasileiro populações indígenas ainda não identificadas; denunciou populações indígenas catequizadas, 125 índios Payanáwa em regime de escravidão no Seringal Barão. Traduziu o vocabulário indígena Curina, Poianau, Tutxiunaua e Marachushy índios que habitam a fronteira do Brasil com o Peru e com a Venezuela, para a língua portuguesa sendo reconhecidos internacionalmente.

Merece ser registrada a doação que fez ao Museu Nacional do Rio de Janeiro (a maior doação individual), a grande coleção de lepidópteros, proveniente do divisor de águas entre os rios Juruá e Ucayale, assim como de ofídios, batráquios e aracnídeos, colhidos no Paranacá, Javary e serra do Contaniano.


João Braulino de Carvalho escreveu e publicou os seguintes trabalhos:

– PROFILAXIA DO IMPALUDISMO;

– PRINCIPAIS MOLÉSTIAS REINANTES NA FRONTEIRA DO BRASIL COM O PERU;

– BREVES NOTÍCIAS SOBRE OS ÍNDIOS POIANAUS E VOCABULÁRIO POIANAU;

– ÍNDIOS CURINAS E SEU VOCABULÁRIO;

– ÍNDIOS TUTXIUNAUA E SEU VOCABULÁRIO;

– ÍNDIOS MARACHUSHY E SEU VOCABULÁRIO;

– A CIRURGIA GINECOLÓGICA NO MARANHÃO;

– JORNADAS MÉDICAS.


Recebeu as seguintes honrarias:

– Medalha Comemorativa do Centenário de Nascimento do Barão do Rio Branco (conferida pelo Ministério das relações Exteriores);

– Medalha de Guerra (concedida pelo Presidente da República, em 1950);

– Cruz de Distinção da Sociedade Cruz Vermelha (1953);

– Atribuição do seu nome à maternidade da Santa Casa de Misericórdia de São Luís (1960);

– Título de Presidente Honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão;

– Por proposição feita pela Câmara Municipal de Óbidos e aceita pela maioria, foi dado o seu nome a uma praça pública, como forma de agradecimento aos trabalhos prestados àquela cidade (1966).


João Braulino de Carvalho foi antes de tudo um filantropo. Foi médico-militar e sanitarista, ginecologista e obstetra, cirurgião e pediatra. Foi atuante naturalista, antropólogo e arqueólogo. Maranhense dotado de rara intelectualidade plural e eclética. Humanista continuará merecendo as homenagens eternas do povo de São Luís.

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João Bosco Rego

João Bosco Rego

O titular da Cadeira, acad. João Bosco Rego, no seu discurso de posse aludiu com muita propriedade o que a respeito do Dr. Almir Nina disse o historiador Domingos Barbosa: “…era um singelo por feitio, um bom por natureza, um forte sem o querer, um inteligente sem dar por isso, um culto sem perceber”.

O Dr. Almir Parga Nina faleceu em São Luís, no dia 14 de fevereiro de 1908.

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Dr Almir Nina

Dr. Almir Nina

Os varões bem formados de espírito e coração dispensam ambiente especial para revelar a capacidade criadora, e até no acanhado torrão em que nascem e se desenvolvem, deixam na esteira de sua passagem o valor imortal da obra.

Tangidos muitas vezes, por acendrado amor à terra e à família, deixam os grandes centros, onde seu nome fatalmente seria projetado à fama de todo o país, para, na modéstia da província, apenas sob o ardor do estímulo inato, realizarem tarefa não menos gloriosa e não menos digna de ser relembrada para incitamente dos vindouros.

Almir Nina nasceu em São Luís, a 24 de julho de 1861, filho do comerciante João Gonçalves Nina e D. Rosa de Parga Nina.

Estudou os cursos primário e secundário na terra natal, sob os vigilantes e sadios cuidados pedagógicos de sua mãe, provecta educadora maranhense, criadora do famoso colégio primário “Nossa Senhora de Nazaré”.

Durante os descuidados anos de infância, pôde D. Rosa Nina, com amor e sabedoria, preparar solidamente o filho para o futuro. Não se limitou a dar-lhe excelentes condições ingênitos e alimentá-lo com a nívea energia dos seios; plasmou-lhe paciente o coração; incutiu-lhe o amor ao trabalho, e vigiou incansável o brotar da tenra inteligência. Foi trabalho silente, constante e alentado, que em prodigiosa intuscepção se confundiu com a própria personalidade do filho. Deve Almir Nina, a essa mãe admirável, o equilíbrio estável de sua luminosa trajetória.

A essa altura convém dizer algo sobre a personalidade dessa ilustre educadora maranhense, fundadora do colégio N. S. de Nazaré, (1864) um dos mais notáveis de nossa terra, que muita influência teve sobre a cultura maranhense, especialmente sobre o espírito de nosso biografado.

Nasceu ela em Itapecuru-Mirim, a 15 de maio de 1834, filha de Alexandre Pereira Lisboa Parga e Maria Isabel Gonçalves Nina.

Fez o curso primário com os professores Eusébio Barros e Carolina Cardoso. O curso complementar com o Prof. Luís Carlos Pereira de Castro.

O corpo docente de seu colégio era constituído da fina flor do magistério maranhense, a exemplo de Sotero dos Reis Augusto Correia e Pereira de Castro, que ensinavam a língua materna; Afonso do Nascimento e reis Tribuzi, desenho; Bandeira Hall, inglês; Temístocles Aranha, matemática; Velez Perdigão, caligrafia; Margarida da Costa, canto etc.

O colégio N. S. de Nazaré se transformou depois no Instituto Rosa Nina, sob os auspícios pedagógicos do Dr. Almir Nina, que lhe fazia a supervisão pedagógica, enquanto a direção era entregue à sua irmã Maria da Glória, para cuja função foi especializada na Europa.

O Instituto Rosa Nina era o campo de pesquisa, com o fim de introduzir métodos pedagógicos modernos trazidos por ele da Europa. Um dos frutos, foram os livros didáticos escritos e editados em São Luís, sobre os quais falaremos oportunamente.

D. Rosa Nina teve com João Gonçalves Nina, a seguinte descendência: Ida, Almir, Maria da Glória, José e Maria Regina.

 

NA FACULDADE DE MEDICINA DO RIO DE JANEIRO

Quando Almir Nina chegou ao átrio da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1877, mas parecia ela, no dizer de Fernando Magalhães, “um convento antiquado, degradado pelo tempo, com aspecto de presídio, pelas janelas engradadas de varões fortes. No pátio enlameado, crescia selvagem o horto botânico. As salas de aulas, com mobília pouca e quebrada, não tinham ar. A sala anatômica, revestida de tijolos, manchava-se de sangue coalhado e em torno de cinco meses, amontavam-se os alunos e os cadáveres mutilados. O gabinete de Física só dispunha de instrumentos quebrados; Biblioteca, escura, convida ao sono. As clínicas dependiam da administração da Misericórdia e só com grande esforço o ensino alcançava ligeiras concessões de liberdade”.

Há muito entretanto, Meireles havia conseguido a lei de 1832, transformando as Academias Médico-Cirúrgicas, nas Faculdades de Medicina da Bahia e do Rio de Janeiro, que passam a receber de Pedro II inestimável apoio e estímulo. Esta reforma havia provido a maioria das cadeiras com as figuras mais eminentes da Medicina nacional: Morais e Vale, Bonifácio Abreu, Caminhoá, Ramiz Galvão, Alvarenga, Pereira Guimarães, Sousa Costa, Pinheiro Guimarães, Sousa Lima e tantos outros.

Teve Almir Nina, já veterano, a fortuna de apreciar o grande movimento científico de 1881, que culminou com o famoso “Regimento Sabóia”,  banindo de uma vez por todas o velho e antiquado sistema de ensino médico…

Os três últimos anos já foram sob a direção do Visconde de Sabóia, autor de Regimento, e a alta expressão da cirurgia da época, “recebeu nesta gestão, a tradicional entidade”, conta Ivolino de Vasconcelos, extraordinário impulso, em geral florescente de atividades. Enriquecida no aparelhamento, aberta aos mestres novas possibilidades para o ensino das disciplinas e aos alunos propiciados os mais salutares estímulos, revivia a Faculdade, ao sôpro generoso do entusiasmo e capacidade realizadora daquele homem dinâmico, vibrante e organizador.

Defini-se o brilho de sua atuação, por fato único, nos anais da vida escolar da Faculdade: – É que, tendo principiado na Administração do Império, transpôs, no cargo, as portas da República, e, pelo novo regime, foi condecorado “Diretor Honorário” da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, mercê única, jamais anterior nem posteriormente concedida”.

Havia, entretanto, para os espíritos moços a escol atração do mais irresistível, espécie de tropismo científico: – Torres Homem, o catedrático de Clínica Médica. Era o maior clínico brasileiro e o mestre sem jaça; através de segura orientação semiológica e clínica, transformava fazia de cada aluno um amigo incondicional; suas preleções magníficas conseguia harmonizar a ciência e a beleza, dando à verdade, encantadora vestimenta, “Torres Homem,” diz Ivolino, “tinha o poder de facinar os espíritos amantes da perfeição, que, qual, mariposa atraída por clarão e sorvendo o neta recantado de sua bondade”.

Foi nessa atmosfera de renascimento científico pedagógico, que Almir Nina fez o curso médico. Fora o Patriarca da Medicina Brasileira o seu mestre… era completada, em ambiente de sabedoria e beleza, a tarefa iniciada por Rosa Nina!

Não menos digno fora o discípulo; tornou-se, quintanista, interno por concurso da cadeira do Barão; formado, recebe o honroso convite do mestre para ficar no Rio, ajudando-o na clínica particular e preparando-se para a cátedra.

Não aceitou, entretanto. Mal defendera tese, voltou para terra natal, e para o aconchego do lar querido.

A tese – Indicações e contra-indicações da pereirina e seus sais nas manifestações aguadas da malária – fez estudo original sobre a flora médica brasileira, e estudo novo específico para importante endemia de sua terra.

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Djalma Caldas Marques

Djalma Caldas Marques

Nasceu no município de Penalva, Maranhão, em 17 de julho de 1887, filho do tenente Joaquim Mariano Gama Marques e de Umbelina Caldas Marques. Fez os primeiros estudos em sua cidade natal, transferindo-se, depois, para o Liceu Maranhense, em São Luís. Formou-se pela Faculdade de Medicina de Salvador em 24 de dezembro de 1914, clinicando na Bahia até o ano de 1918. Foi, então, agraciado com o prêmio de uma bolsa de estudos em Paris, França, pela Congregação da Faculdade da Bahia. No entanto, preferiu ir para o interior baiano e d Minas Gerais, onde pôs em prática seus conhecimentos.

Especializou-se em Psiquiatria defendendo a tese “Quadro Neutrófilo do Alienado, desenvolvida a partir da vivência no Hospital de São João de Deus e na Clínica Psiquiátrica de Salvador. Casou-se em Salvador no dia 12 de setembro de 1918 com Orádia Barreira, com quem teve um filho, Laerte Barreira Marques, e uma filha, Elys Barreira Marques.

Exerceu a clínica geral e lutou para que fosse aberto um estabelecimento para tratamento psiquiátrico, ao retornar para São Luís. Preocupava-se com o bem-estar da população, buscando promover uma mudança eficaz no panorama dos alienados, mas também na assistência à saúde como um todo no Estado do Maranhão.

Exerceu a profissão médica durante 48 anos, com reconhecida capacidade técnica. Foi médico sanitarista do Ministério da Saúde, Sub Inspetor do Serviço de Profilaxia Rural, Diretor Geral de Saúde e Assistência e, em 1934, tornou-se diretor do Pavilhão do Lira, considerando um projeto antecessor da Colônia de Psicopatas Nina Rodrigues, inaugurada em 1941. Além dos cargos descritos acima, em 1926 também fez parte do Sindicato Médico do Maranhão.

Djalma Marques buscou, ainda caminhos na política, chegando a integrar a direção da União Republicana Maranhense – URM. Foi candidato a Deputado Federal Constituinte, na eleição de 1935 e integrou as chamadas “oposições coligadas” nas eleições de 1951. Ocupou o cargo de presidente do Departamento Administrativo do Maranhão no governo do interventor Paulo Ramos, sempre atento às medidas políticas que deveriam ser tomadas no Maranhão em razão do Estado Novo.

O Dr. Djalma Caldas Marques morreu no dia 22 de novembro de 1968, com 81 anos de idade. Nos dias seguintes foram prestadas muitas homenagens por diversos conterrâneos ressaltando a imagem de um homem sóbrio, que levara uma vida simples e modesta, enquanto na Câmara Municipal e no Senado Federal foram proferidos discursos enaltecendo a figura desse grande maranhense.

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Antonio Henrique Leal

Antonio Henrique Leal

Natural de Itapecuru-Mirim, Maranhão, Antônio Heriques Leal nasceu em 24 de julho de 1828. Era filho de Alexandre Henriques Leal e Dona Ana Rosa Carvalho Reis. Após completar os estudos básicos na terra natal e depois em São Luís, foi enviado para o Rio de Janeiro onde, na faculdade de Medicina, completou seus estudos superiores e colou grau. Retorno ao Maranhão onde se dedicou às suas duas paixões, a medicina e a vida literária. Desenvolveu uma intensa atividade na imprensa local. Das suas produções literárias destaca-se Pantheon Maranhense composto de três Tomos com ensaios biográficos de ilustres maranhenses já falecidos à sua época.

Acometido por um acidente vascular cerebral que o deixou paraplégico, viajou em busca de recursos terapêuticos para Portugal e, em Lisboa, continuou se dedicando à literatura e ao jornalismo.

Retornando ao Brasil se radicou no Rio de Janeiro, onde chegou à direção da Imprensa Nacional e onde também faleceu, em 29 de setembro de 1885.

Depois de formado no Rio de Janeiro, Henriques Leal retornou para sua província natal para exercer a profissão, São Luís naquela época era a quarta maior cidade brasileira, sendo excedida apenas por Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Em São Luís pertenceu ao Instituto Literário Maranhense e mais tarde do Gabinete Português de Leitura, que fez seu sócio honorário, do Ateneu Maranhense e da Associação Tipográfica Maranhense. No Rio de Janeiro tornou-se sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e, em Portugal foi sócio da Sociedade Médica de Lisboa. Na política exerceu um mandato de vereador em São Luís e foi presidente da Câmara Legislativa na legislatura de 1865/1866 e na seguinte de 2866/1867, foi ainda eleitor para à Assembleia Provincial onde também atingiu a chefia. Há registros de que em 1855 o presidente da Província nomeou-o para o cargo de auxiliar da Junta de Higiene Pública, entretanto não exerceu o cargo por mais de um mês, porque no Rio de Janeiro tornou-se regente do Colégio Pedro II e diretor do internato dessa instituição.

Começou sua carreira de jornalista em O progresso como colaborador (1847-1848) e como redactor em 1861, depois foi para A Imprensa que fundou junto com Fábio Alexandrino de Carvalho Reis e Antônio Rego (1857-1861) e ao Publicador Maranhense redigiu de 1864 a 1865 e para A Conciliação foi um assíduo colaborador; eram estes jornais de natureza política, já nos jornais de natureza literária ou cultural contribuiu com O Arquivo, O jornal de Instrução e Recreio e Semanário Maranhense e a Revista Universal Maranhense. Deixou a militância política por motivos de saúde e dedicou-se a intelectualidade, à literatura, biografando os principais nomes de sua província natal.

Em 1862 escreveu a “introdução” para a História da Independência da Província do Maranhão de autoria do Visconde de Vieira da Silva e a “Nota Biográfica” no primeiro volume das Obras de João Francisco Lisboa, de que ele editou na companhia de Luís Carlos Pereira de Castro em 1864. Foi na década de 1870, doente, que Antônio Henriques Leal atingiu o máximo e o melhor da sua produção literária, começou editando os quatro volumes do Pantheon Maranhense, editados pela Imprensa Nacional de Lisboa em 1873 e 1874 e dois volumes dos Apontamentos para a História dos Jesuítas no Brasil e Lucubrações, pequenos ensaios sobre assuntos de história, literatura e medicina, e por fim a Biografia de Antônio Marques Rodrigues, publicada em Lisboa em 1875.[2] Falecera no Rio de Janeiro, 20 dias depois de chegar de Lisboa.

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