Discursos

Discurso à Academia Maranhense de Medicina

São Luís, 27/04/2018

Autor e Orador: Antonio Augusto Soares da Fonseca

Coube-me a missão, como bisneto, representar a família do Dr. Netto Guterres nesta solenidade da Academia Maranhense de Medicina em colocar seu nome nas instalações desta egrégia casa. Por ser seu descendente, sinto-me honrado em tecer algumas palavras sobre a vida desse médico humanitário que se tornou mito na sociedade maranhense.

Cresci ouvindo histórias sobre o Dr. Netto Guterres e sua família, especialmente contadas pelos lábios de minha mãe, Maria Thereza Soares da Fonseca, primeira neta e zeladora fervorosa das lembranças da família. Ao ouvi-las sempre me fascinava e docemente servia de lenitivo para a minha alma.

Nasceu na cidade de Alcântara em 04 de abril de 1880, sendo o terceiro filho do casal Antônio Celestino Ferreira Guterres e Joaquina Rosa Netto Guterres, residentes em Pinheiro, proprietários da fazenda Caruma. Estudou as primeiras letras nas cidades de Alcântara e Pinheiro e o ginásio e científico em São Luís do Maranhão, no Colégio Coqueiro e Liceu Maranhense. Prestou vestibular para a Faculdade Nacional de Medicina no Rio de Janeiro, na Praia Vermelha em 1899, logrando êxito.

Fato curioso ocorreu logo no seu primeiro ano, pois resolveu abandonar os estudos quando naquele ano, achou que não tinha aptidão para exercer a medicina. Retornou então para a cidade de Pinheiro para junto ficar com seus pais e irmãos. Seu pai, fazendeiro e agricultor lhe houvera dito: “Já que o senhor não quer ser médico, irá pegar na enxada e ajudar seu irmão mais velho nas tarefas da fazenda”. O arrependimento lhe consumiu e retornou para a cidade do Rio de Janeiro após três meses no campo.

Na capital federal, no terceiro ano, tornou-se um discípulo muito querido do então renomado pediatra, Dr. Barata Ribeiro. Lá, na enfermaria de pediatria da Santa Casa, como interno, desenvolveu sua tese de doutor para obtenção de conclusão do curso com o tema “Estudo Clínico dos Vícios de Conformação Ano-Rectaes Congênitos e seu Tratamento”.

Formou-se em 1905 e, apesar dos esforços do Dr. Barata Ribeiro em mantê-lo consigo na Cidade Maravilhosa, o seu amor pela sua terra e sua gente, falou mais alto. Voltou ao Maranhão em 1906 como médico policlínico, casando-se com sua prima, D. Leonor Passos Netto Guterres, do qual desse consorte nasceram Joaquina, minha avó, Vicente de Paula e Conceição. Residiu inicialmente à Rua Afonso Pena, instalando seu consultório e farmácia na Praça João Lisboa. Assim, seu primeiro manifesto à sociedade maranhense o fez em jornal da cidade, dizendo o seguinte: “Dr. Netto Guterres, clinica médico-cirúrgica em geral, especialmente moléstias das crianças, partos e moléstias venéreas, tratamento das deformidades dos ossos longos, aparelhos gessados. Consultas de 1 a 3 horas da tarde na Farmácia Marques, Praça João Lisboa, nº 11, chamadas na mesma farmácia ou em sua residência na rua Afonso Pena, nº 31,a qualquer hora do dia ou da noite. Serviço gratuito à pobreza desamparada “.

Depois mudou-se para a Rua do Alecrim, entre a Treze de Maio e a Rua da Cruz. Sua farmácia e consultório para a Rua Grande, esquina com o Canto da Viração. A farmácia passou a ser chamada de São Vicente de Paula, do qual era devoto. Nesse local atendia a todos sem distinção de cor, raça ou condição socioeconômica. Os que buscavam cuidados médicos e não possuíam reservas financeiras, ele mesmo fornecia de sua farmácia. Esse fato o fez ser chamado de “Médico dos Pobres”.

Atuou por três décadas na Medicina do Maranhão, não só na clínica particular, mas também atendia na rua e em inúmeros logradouros. Tinha uma afinidade maior em atender os pobres e os sírio-libaneses, recebendo destes uma homenagem póstuma com o busto que fica em frente ao Hospital Geral.

Ele foi médico do Vigésimo Quarto Batalhão de Caçadores, médico sanitarista do matadouro do município de São Luís; atuou no isolamento do Lira na epidemia de varíola e no Leprosário do Gavião, que se localizava atrás do cemitério. Ele também foi médico do pronto socorro como cirurgião geral, pediatra, clínico e dermatologista.Sua última iniciativa como profissional da saúde foi fundar a primeira escola de enfermagem no Hospital Geral, formando as Enfermeiras de então sempre nos princípios da simplicidade e do humanismo.

No ano de 1934, em um dia chuvoso, foi chamado para realizar um parto de uma mulher portadora de hanseníase no Leprosário do Gavião. Pegou sua caleça e partiu para sua última missão. Apesar da chuva, não o impediu de realizar o feito. Porém, dias após, instalou-se um quadro de dor ciática que veio a se agravar e o reteve ao leito, entre aplicações de termo cautério realizadas pelo Dr. Aníbal,mas que pouco aliviava.

Evoluiu com confusão mental, respiração irregular, septicemia e encefalite, falecendo no dia 20 de abril de 1934, assistido pelos doutores Carlos Macieira e Joaquim Menezes, médicos recém chegados na cidade.

Seu enterro, segundo relato da época, foi um evento apoteótico, pois no discurso do Dr. Clarindo Santiago, realizado no teatro Artur Azevedo, em 1937 em homenagem ao “Médico dos Pobres”, disse que se formou um grande laço humano ligando a sua residência na Rua do Alecrim ao cemitério do Gavião. Toda a cidade de São Luís parou na despedida final. Nesse dia chuvoso, o padre, jornalista e político Astolfo Serra, orador no momento, disse: apagaram- se todas as luzes; a própria natureza compungida chora a falta do benemérito da arte de Hipócrates. E assim partiu o Dr. Netto Guterres.

O ideal de um homem que viveu o sacerdócio da Medicina no exemplo de dedicação, na sublime escolha de optar pelos menos favorecidos confere a este homem, meu bisavô, a perpetuidade que sobrepassa a humana finitude. E o sentido da vida ergue a bandeira desse ideal, que marcando a diferença, congrega aqueles que seguem sem recuar o caminho do bem-jazer, praticando o bem na grandeza da simplicidade e no eterno de suas realizações.

Falar em orgulho familiar, por que não? Justo e merecido sempre será. Mas a dimensão dos feitos do DIr. Netto Guterres transcende a esfera familiar e se afirma no coletivo humano todo seu e de todos nós.

Essa homenagem o torna vivo e conclama seguidores. No mundo que faz um amálgama de tantas dores há uma diretriz que predetermina o trabalho de ver o doente, usar conhecimentos e humanamente buscar cura ou forças para a travessia de momentos de sofrimento.

Cabe-nos agradecer e vislumbrar luzes de orientações e exemplos de um médico para sempre muito vivo na sua generosa imortalidade.

Em nome de todos seus descendentes, nosso comovido, emocionado e profundo agradecimento a esta Academia, especialmente ao presidente, Dr. Marcio Leite.

Obrigado!

Discurso De Saudação Do Presidente Da Academia Maranhense De Medicina (AMM), Doutor José Márcio Leite Ao Dr. Carlos De Andrade Macieira, Ao Ser Empossado Na AMM.

Saudação aos presentes…….

Hoje empossamos nesta Casa o médico nefrologista Dr. Carlos de Andrade Macieira, que passa a integrar a nossa Confraria, ocupando a Cadeira nº 45, patroneada por Dr. Alfredo Luiz Bacelar Viana, médico psiquiatra e professor de psicopatologia e clínica psiquiátrica, da Universidade Federal do Maranhão, poeta, ensaísta, membro da Academia Maranhense de Letras, autor dos Livros: “Elegia da Rosa” (poesia); “Três Evocações” (ensaios) e do poema Clamor de São Luís, que representam o grau mais avançado de evolução literária a que chegou o poeta de Aula da Saudade.

O Prof Nagib Curi, cirurgião paulistano de grande destaque, dentre seus incontáveis ensinamentos, repetia como um mantra que o que “o caracterizava um bom médico não era somente o conhecimento acumulado, mas a atenção verdadeira dedicada ao doente, ao seu diagnóstico e tratamento”. E esses méritos você os tem, Confrade Carlos Macieira, consoante pude constatar em várias ocasiões nos serviços públicos ou credenciados pelo Sistema Único de Saúde, que você integra como nefrologista.

A história da nefrologia brasileira se legitima em 2 de agosto de 1960, quando vários nefrologistas de São Paulo e de outros Estados brasileiros fundaram a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), uma Entidade que, dois anos depois, já promovia o seu primeiro Congresso de abrangência nacional. Hoje contamos no Brasil com o que há de mais moderno no mundo para o diagnóstico e tratamento das nefropatias,  mas infelizmente a incidência e a prevalência da doença renal crônica tem aumentado progressivamente no Brasil a cada ano, em “proporções epidêmicas”, constituindo-se um grande desafio para a Saúde Pública e a exigir a intensificação dos cuidados básicos em saúde, no que pertine principalmente à hipertensão arterial e ao diabetes.

A partir de hoje, no entanto, Dr. Carlos de Andrade Macieira, com seu ingresso nesta Casa, o Confrade passará a conviver com os dois mundos do Estado da Arte da Nefrologia: O mundo da ciência médica e o mundo da literatura e da história da medicina. E essa tem sido a missão da Academia Maranhense de Medicina desde a sua fundação e por isso somos imortais, não no sentido empregado na mitologia grega, em que existiam as moiras ou parcas, tecelãs do destino: Cloto, Láquesis e Átropos, damas sombrias representadas na literatura, especialmente na poesia clássica, que tinham o terrível compromisso de elaborar, tecer e interromper o fio da vida de todos os seres, mas a imortalidade da literatura, da cultura, de nossas obras, da poesia, pois já nos deixou dito Carlos Drummond de Andrade: “Eterno, é tudo aquilo que mesmo que dure uma fração de segundo, mas o faz com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata”.

Encerro minhas palavras homenageando o Confrade Carlos de Andrade Macieira, ora empossado, o seu avô Dr. Carlos dos Reis Gomes Macieira e o Dr. Fernando Ribamar Viana, Patronos respectivamente das Cadeiras de números 8 e 15 deste Sodalício e  que  continuam sendo uma grande inspiração para todos nós e para as gerações futuras, com esta estrofe do poema Clamor de São Luís, do médico e poeta Alfredo Luíz Bacelar Viana, Patrono da Cadeira nº 45 desta Academia:

São Luís, São Luís, cidade amada,

Solarenta pousada à beira-mar,

É com a alma triste e dilacerada

Que entôo esta canção pra te acordar.

Acorda desse horrível pesadelo

Em que te querem pra sempre acorrentar,

Arranca de teu peito o escalpelo

Que pretende tua alma dissecar,

Revolta-te, enfurece-te, ouve o apelo

Dos teus filhos que querem te salvar!

Sede bem vindo a nossa Academia, Confrade, Carlos Macieira.

 

Muito Obrigado!

Saudação Aos Homenageados Carlos Celso Gomes Nunes.

Evocando o dia 25 de abril de 1988, cabe-nos tornar solene as comemorações dos 30 anos de fundação da Academia Maranhense de Medicina. A atual Diretoria, sob a Presidência do Confrade José Márcio Soares Leite, cumpre o dever de compartilhar com os senhores acadêmicos, seus convidados,e a classe médica em geral,o significado desses anos de existência,entidade está fundada e dirigida no passado,por diversos expoentes da Medicina neste Estado.

Coube a mim, registrar esta saudação a 30 homenageados médicos, com o título “Honra ao Mérito Médico Maranhense”, renomados profissionais, cujo processo de seleção obedeceu rigoroso critério pelos trabalhos e dedicação à causa da Medicina ,distinção essa que mais tarde,também,outros serão, em futuro próximo.

Para muitos, infelizmente, esta Academia e as demais, é um ajuntamento de médicos saudosistas, não compreendendo o valor histórico dos que partiram e deixando um legado de bons exemplos que precisamos resgatar,visto que funciona como um farol a iluminar nossa caminhada.

Palestras científicas, depoimentos pessoais e registrados em publicações, têm marcado a razão de nossa existência, tornando-se ainda um Centro de Assessoramento para as questões de saúde. Assim é que, nossos homenageados, figuras que desempenharam a Medicina em bases científicas, a busca incessante do aperfeiçoamento, o empenho pela atualização permanente, o sublime propósito de transmitir conhecimentos, cujo ápice de atuação se concretiza pouco depois, pela criação de nossa então Faculdade de Ciências Médicas do Maranhão. Esta evocação representa o dever que dignifica a todos, valorizando a tradição, que no entender do poeta não quer dizer que os vivos estão mortos, mas os mortos estão vivos.

Oportuno lembrar o vertiginoso crescimento da população médica, consequente à proliferação descontrolada de escolas médicas e o desaparecimento gradativo da medicina liberal, o surgimento da grande indústria farmacêutica, as excessivas especializações, muitas vezes até precocemente, a explosiva expansão dos equipamentos médicos de alta tecnologia,do termômetro de mercúrio,do martelo de Dejerine e do tensiômetro,chegando ao tomógrafo computadorizado,à ressonância magnética,além dos benefícios da cibernética e da hermenêutica ,tudo isso determinando profundas transformações no exercício profissional da Medicina. Assistimos a um processo de grande expansão na cirurgia como um todo,chegando à fase dos transplantes de órgãos e cabe-nos o dever de registrar para a História toda essa evolução marcante.

Não podemos esquecer o papel das Instituições de ensino e nesse particular menciono o nosso Hospital Universitário que sob a direção do nosso ilustre confrade Natalino Salgado,tornou-se uma referência nacional pela eficácia e eficiência do binômio ensino e serviço.

Ao procedermos esta homenagem a tão ilustres colegas médicos,não seria justo o esquecimento dos que fizeram a Medicina com zelo e arte,que souberem enriquecer com seus ideais e sua projeção a Medicina do Maranhão,uma Medicina Hipocrática,que é a arte de fazer o bem,que respeita a santidade da vida,obedecendo o preceito de curar às vezes,aliviar quando possível e consolar sempre.As virtudes assinaladas, a que a todos enobrecem,nos faz lembrar a famosa frase do eminente fisiologista Houssay,de que ”não é a gaiola de ouro que faz o pássaro cantar”.

Finalizo com as sábias palavras de Guimarães Rosa: ”as pessoas não morrem, ficam encantadas”.

Confrades,confreiras,senhores e senhoras,no mistério das metampsicoses, nossos homenageados que já partiram, no além, continuam a nos obsevar, ficando jubilosos que o passar do tempo não apagou as suas obras como médicos e humanistas,pois que, como bem disse Tristão de Ataíde,”toda a vida bem vivida,deixa uma mensagem e um gesto”.

 

A todos, o meu muito obrigado.

Discurso A Ser Proferido Pelo Acadêmico Aymoré Alvim, Secretário Geral Da Academia Maranhense De Medicina Em 26 De Abril De 2019, Na Sessão Solene Comemorativa Dos 31 Anos De Fundação Da Academia Maranhense De Medicina E Que Será Lido Pelo Acadêmico Aldir Penha Costa Ferreira, Vice Presidente Da AMM.

Sr. Presidente, Acadêmio José Márcio Soares Leite, em nome de quem saúdo os demais componentes da mesa; – Sras. e Srs. Acadêmicos desta Academia e de outras aqui presentes; Minhas senhoras e meus senhores. 

A transição da Idade Média para o Período Moderno, também conhecido por Renascença ou Renascimento, ocorrido ente os séculos 14 e 16, foi marcado por profundas transformações do pensamento humano com nítidos reflexos em diferentes campos do saber como o da filosofia, música, pedagogia, pintura, literatura, história, arquitetura e das ciências. Na senda destes acontecimentos, foi organizado por intelectuais italianos, em fins do século 14, um movimento filosófico-cultural que teve como escopo a valorização do ser humano. 

Por tal motivo, foi denominado “Humanismo” e logo se espalhou por toda a Europa, influenciando todos os campos do conhecimento humano, desde as artes até as ciências.

Tinha um viés, exclusivamente, antropocêntrico pela sua frontal oposição ao teocentrismo que pautou toda a cultura laica e religiosa da Idade Média. Tal processo promoveu profundas alterações, nas relações humanas, tanto no campo social quanto no político, que vêm repercutindo com bastante nitidez, na formação das sociedades moderna e contemporânea. E, assim, uma das organizações que sofreu profundas alterações foi a velha Academia de Platão dedicada ao ensino da filosofia, na Grécia Antiga. Com várias nuances, foram surgindo novas modalidades de academias como congregações de estudiosos e eruditos que se reuniam para contribuir para o estudo, discussão e o desenvolvimento das práticas literárias, científicas, médico- cirúrgicas e de saúde pública.

Como fato histórico, destaca-se, neste modelo, uma das mais antigas Academia, surgida, em meado do século XV, que foi a Academia Pomponiana ou Academia Romana, fundada por Pompônio Leto, em Roma.

Na área da medicina aqui, no Brasil, a Academia Nacional de Medicina, inicialmente, Academia Imperial de Medicina, foi a primeira instituição do gênero, fundada, no Rio de Janeiro, em 1829, pelo médico Joaquim Cândido Soares de Meireles. A partir de então, surgiram em diferentes Estados muitas sociedades médicas, algumas delas foram transformadas em Academia. Aqui, no Maranhão, o médico Antônio Nilo da Costa Filho alimentou por alguns anos o sonho de fundar uma Academia de Medicina. Grandes foram os obstáculos em face ao descrédito dos colegas que achavam ser mesmo um sonho ou delírio de Antônio. Pertinaz, prosseguiu na sua luta até que, em fevereiro de 1988, fechou com um grupo colegas cujos nomes é sempre bom lembrar, principalmente, em solenidades como esta; José Venâncio Braga Diniz, José Carlos Azevedo Ribeiro,Tomé Lima de Araújo, Maria José Aragão, Antônia de Arruda Soares, Benedito Clementino Siqueira de Moura, Orlando Araújo, Antônio Salim Duailibe, Croce do Rego Castelo Branco, José Ribeiro Quadros, Oswaldo Martins Bittencourt, William Soares de Brito, Antônio Euzebio da Costa Rodrigues, Gabriel Pereira da Cunha, Carlos Alberto Salgado Borges, José Vasques Ver-Vallen, Expedito Aguiar Bacelar, Cesário Coimbra, Lourival Gomes Bogéa, Ibraim Almeida Filho, Maria do Socorro Moreira de Sousa, Manoel Soares Estrela, Carlos Celso Gomes Nunes e Aymoré de Castro Alvim. Assim, com o apoio deste grupo foi instalada, na noite de 25 de abril de 1988, no Teatro Arthur Azevedo, a Academia Maranhense de Medicina, cujos 31 anos de existência hoje comemoramos.

Discurso De Saudação Do Dr. José Aparecido Valadão, Ao Patrono Da Cadeira Nº 44, Dr. Olavo Correia Lima, Ao Ser Empossado Na AMM, No Dia 04/08/2017.

Ilustríssimo senhor Presidente da Academia Maranhense de Medicina, Professor Doutor José Márcio Soares Leite, ilustríssimo senhor Presidente do CRM/MA, Dr. Abdon José Murad Neto, senhor Presidente da Associação Médica Maranhense, Dr. Mauro César de Oliveira, senhor Diretor-Presidente do Hospital São Domingos, Dr. Hélio Mendes da Silva, ilustres Confrades e Confreiras, da Academia Maranhense de Medicina, senhores profissionais de saúde, meus senhores e senhoras, à minha  esposa Cida e aos meus filhos, fontes de inspiração da minha vida. 

Dr. Olavo Alexandrino Correia Lima, Patrono da Cadeira nº 44 da Academia Maranhense de Medicina, iniciou o curso de Medicina, no Pará, formando-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se especializou em Medicina Interna e Cardiologia, com o Prof. Pedro da Cunha, de quem foi assistente. Especializou-se ainda em Pediatria, com o Prof. Flávio Lambardi, no Rio de Janeiro, tendo sido seus assistente na Obra de Proteção à Infância Pobre (OPIP).

Iniciou sua clínica em Teresina-Piauí, como pediatra do Hospital Getúlio Vargas. Transferiu-se para São Luis, em 1944, como pediatra do Hospital Infantil, do qual foi Diretor. Passou depois para o Hospital Presidente Dutra ao Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários (IAPC) e para o Instituto de Previdência do Estado do Maranhão (Ipem).

Fundou em São Luís a Obra de Proteção à Infância Pobre (OPIP), similar a existente no Rio de Janeiro, mantendo ambulatórios no Desterro, Vila Passos e Anil. Deu cursos de Puericultura gratuitos (Escolas de Mãezinhas) e  nos Colégios Rosa Castro e Liceu Maranhense. Publicou muitos trabalhos de pesquisa pediátrica, inclusive dois livros de Puericultura: “Eu e Mamãe” em 1949 e “Alimente Melhor Seu Filho”. Em ambos, levou em conta o clima e a cultura alimentar maranhense. Ainda, o livro “Serviço Social e Medicina do Trabalho”  em 1959. Fundou o Clube Médico, com atividades científicas e recreativas.

Entrou para o Instituto Histórico e Geográfica do Maranhão (IHGM), Cadeira de João Francisco Lisboa, com a tese “História da Assistência à Infância do Maranhão” em 1947. Fundou o Instituto Maranhense de História da Medicina, filiado ao Instituto Brasileiro de História da Medicina, tornando-se seu presidente perpétuo. Participou em vários congressos nacionais. Foi sócio honorário deste e sócio correspondente da Sociedade Venezuelana de História da Medicina. Dedicou-se especialmente a “História da Medicina, sendo um dos resultados de suas pesquisas o “Panteão Médico Maranhense”.

Suas atividades docentes se iniciaram com duas docências-livres para Faculdades Federais. A primeira, em Odontologia Legal e Higiene Odontológica, com a tese “Odontologia Legal da Saliva” em 1952. A segunda, para Medicina Legal, na Faculdade de Direito, com a tese “Assistência Médico-Social do Filho Sadio do Lázaro. Aspectos Médico-Legais” em 1954. Nessa fase aperfeiçoou os métodos de identificação rugoscópico e odontoscópico. Escreveu um “Tratado de Higiene Odontológica” e outro de Odontologia Legal. Em seu ensino de Medicina Legal, na Faculdade de Direito, aplicou método próprio, ao dar ênfase à técnica de pedido e avaliação de perícia médico-legal e à critica às leis nacionais. Ampliou consideravelmente o constructo de Odontologia Legal, aproveitando seus profundos conhecimentos médicos-legais, especialmente em Identificação e Infortunística.

Transferiu-se depois, como Professor Titular da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), para a cadeira de Antropologia Nacional e Regional, passando a dedicar-se exclusivamente ao ensino e à pesquisa, especialmente sobre aspectos maranhenses, físicos e culturais. Escreveu um “Tratado de Antropologia”, com contexto mundial, nacional e maranhense. Depois um “Compêndio de Antropologia”, mais condizente com o nível das aulas. Não conseguindo editá-los, em suas aulas procurava organizar os pontos dos alunos, pacientemente, aqui e ali, saindo da rotina, para explicações teóricas e práticas mais profundas, servindo-se de recursos didáticos próprios. Deixava o aluno à vontade para perguntas e estimulava a pesquisa na ilha de São Luís ou no interior do Maranhão. Nas aulas, costumava apresentar suas inovações científicas, sem sectarismo, procurando convencer pelo raciocínio e exemplos práticos. Também premiava os alunos com os trabalhos. Com isso, procurava desenvolver o espírito científico e tecnológico, mostrando que a ciência pode ser feita em qualquer lugar, desde que se lhe dedique com afinco. Desse convívio ativo com os universitários, nasceu o “Romance de Minha Antropologia”  em 1987.

Não recebendo nenhum apoio institucional para suas publicações, nem mesmo uma revista regular optou pela técnica do stêncil eletrônico, com a qual publicou inúmeras monografias. Embora materialmente modestas e de reduzida triagem, por meio delas pode-se aquilatar-lhe o grande esforço científico pela inovação da Antropologia e dos aspectos maranhenses. Percorreu todo o Maranhão, acompanhado de discípulos, com recursos próprios e parcial dos prefeitos locais e de alguns amigos. Essa rica bibliografia pode ser vista em seu “Panteão Antropológico”, publicado em 1986. Entre suas importantes obras, destaca-se o “Funcionalismo Físico” em 1983, que veio enrijecer as bases da Antropologia. Trata-se de uma teoria assincrônica da natureza humana, como um corte transverso, revelando-se construída exclusivamente de instinto e cultura. A importância dada aos instintos foi profundamente prolífera, para a compreensão da origem e mecanismo da cultura. Estabeleceu inclusive as leis funcionalistas-físicas, que representam a segurança de sua teoria. Criou a Etnopsicanálise, como método e ramo de Antropologia Cultural, por meio da qual não só conciliou a Antropologia com a Psicanálise, como aproveitou os ensinamentos desta para explicar o mecanismo íntimo da origem da cultura, pelo Complexo de Édipo, que ainda mereceu dele a diferenciação em dois sub-Complexos: de Narciso e Prometeu. Seu conceito etnopsicanalítico estendeu-se pela teoria da religião, com uma das muitas culturas do Homem, reforçando as idéias totêmicas de Freud. Criou uma nova taxonomia para fósseis humanos, de natureza ernária, que foi inaugurada em dois fósseis maranhenses, descobertos em sambaquis da Ilha: Homo sapiens maiobinenseis e o Homo sapopiens rosanenses, sendo o primeiro datado em 3.000 anos pelo C14. A referida taxonomia veio melhorar os muitos fósseis humanos, inclusive definí-los como hominóides, a começar pelo Homo sapiens australanthropus, de cerca de 5 milhões de anos. Explicou melhor a evolução do Homem, esclarecendo a mutação hominídea com ajuda da encefalização-das-funções e da fetalização. Aquela desenvolvendo o cérebro humano e, com ele, os instintos superiores, criadores da cultura. A outra, evitando a extinção da espécie e ao tempo criando um estado de fetalização, com uma ecologia afetiva infanto-materna, originando o Complexo de Édipo que, para ele, era o engenho formador de cultura. Entrosou melhor a Biologia com a Antropologia, criando a Antropofisiologia, descuidada pelos antropólogos. Dando importância aos instintos humanos reforçou o conceito de super organicidade humana, incorporando os seus próprios conhecimentos médicos ao contexto da Antropololia. O exemplo da utilização de método de Rorschach para definição de seus biótipos, mais correlacionados com a introjeção da cultura. Contestou Malinovski e justificou o engano de Freud, quanto à universidade do Complexo de Édipo que, na sua opinião, se fez em relação ao pai cultural e não ao pai biológico, tornando assim aquele complexo uma Lei científica, a fundamentar tanto a Psicanálise como a própria Antropologia.

No que respeita aos seus estudos sobre o Maranhão, destaquemos os mais importantes. A definição da natureza etnialógica dos Bárbaros como reminicência mameluca da expedição de João de Barros ao Maranhão. A descoberta e datação do sambaqui e de estearias. Aprofundou a cultura espeleológica, com descoberta de cavernas e impressões rupestres. Descobriu o local da Batalha de Guaxenduba, procurando criar o Parque Nacional de Guaxenduba, para guardar a cultura da importante batalha, da qual nasceu definitivamente o Maranhão. Com suas pesquisas paleorqueológicas, escreveu a “Pré-História do Maranhão”, a primeira no gênero no Maranhão. Não se esqueceu do Maranhão de nossos dias. Escreveu a “Cultura Arquitetônica Colonial de São Luis” em 1989, a “Atenas Brasileira”, em 1983 mostrando que essa cultura também é científica e tecnológica, a “Luzitanidade Maranhense” em 1986, focalizando a influência da cultura portuguesa, inclusive em nossos dias, os “Sírius e Libaneses” em 1931, tratando da origem e importância dessa miscigenação, a “Casa Nagô” em 1987, reminiscência da cultura ioruba, os “Isolados Negros Maranhenses” em 1980, sobre isolados étnicos e etnológicos de nossa escravidão; ainda, sobre secular amorenamento maranhense, altura e peso da criança e do soldado, biótipos maranhenses, inclusive sob aspectos culturais, com os avanços dados a Antropobiotipologia.

Polígrafo, Correia Lima sempre colaborou assiduamente em jornais, sobre diversos assuntos, a exemplo de suas “Universitárias”, crônicas eruditas sobre história, ciência, folclore etc. É pena o espaço de tempo, não permitir  descrever com mais detalhes sua bibliografia, que melhor ajudaria a retratar seu grande esforço científico e literário, em jornais e revistas locais, nacionais e estrangeiras, se constituindo para mim uma extremada honra, ser o primeiro ocupante da Cadeira n 44, que o tem como Patrono.

Ao encerrar minhas palavras, quero agradecer aos Confrades e Confreiras as suas indicações, o seus votos de confiança, para que viesse integrar esta Academia e fazer um agradecimento especial ao Confrade Abdon Murad que sempre me estimulou a que viesse a parear-me com os ilustres Membros deste Sodalício e ao Confrade Presidente José Márcio Leite, pela forma transparente e democrática com que conduziu, juntamente com toda Diretoria todo o processso eleitoral, a findar-se com a minha posse. Agradeço de coração a minha esposa Cida, minha companheira e fonte inspiradora há ………….anos e aos queridos filhos. Obrigado a todos os colegas e amigos por prestigiarem com sua presença esta solenidade.

Discurso De Recepção Ao Acadêmico Hilmar Ribeiro Hortegal

Ilmo. Sr. Presidente, Acd. José Márcio Soares Leite;

Passo aos cumprimentos, cumprindo o que é a forma regulamentar e com imensa satisfação, através de vosso nome, saúdo aos ilustres componentes desta mesa.

Autoridades aqui presentes;

Prezadas confreiras e confrades;

Minhas senhoras e meus senhores.

Tomados por imensurável júbilo, receberemos nesta aprazível noite de janeiro, um novo membro deste sodalício. Hoje nasce para a imortalidade, um novel acadêmico. O conceito de imortalidade há muito ronda esta instituição, fomentado decerto, pelo imaginário popular, que na ânsia de crer na perenidade das coisas, reveste o criador com o manto da ilusão. A imortalidade dos membros desta casa, não carrega a insígnia da eternidade do homem, mas o desejo coletivo de prorrogar as notáveis ações humanas. Nestas ocasiões, reverberamos no fundo d’alma, o que vaticinou Goethe: “ A vida é a infância da nossa imortalidade”. Indubitavelmente, o transcurso de vida deste novo imortal, encaminhou-o até aqui. Eis como nos chegou.

Prezado Hilmar Hortegal,

Me chamastes para receber-vos neste instante de vossa sagração acadêmica. A notável relevância desta função, tentou-me a declinar deste momento, que se para mim é honroso, é para vós inesquecível. Julgastes- me digna deste papel e agora aqui me tendes. Com a licença dos presentes, registrarei antes de vossa apresentação, o afeto da amiga e a gratidão, pela fidalguia em convidar-me.

Chegais a esta Casa de Antônio Nilo, pela cuidadosa e laboriosa obra que vindes realizando com paciência e carinho, através de uma longa jornada, inteiramente dedicada à salvaguarda da ética e da ciência médica, da cultura das terras maranhenses e das letras brasileiras. Esta irretocável jornada, pelo brilho, esmero, essência, forma e conteúdo de sua

composição, permitiu que estivesses à altura da pompa e da gala desta noite, em que vós tomais consórcio ilustre, neste sodalício. Saibam todos, que hoje alcançais um reconhecimento que está acima de qualquer título de competência, pois é a reunião de todos eles e mais! A entrada nesta casa é a sagração do médico pela medicina. Aqui encontrareis um centro, onde se albergam os seres que se colocam sob o primado de um humanismo que não quer e não pode fenecer.

A saga deste homem, senhoras e senhores, se inicia aos 17 dias de novembro de 1951, no município de Pirapemas (MA), onde nasceu, sendo o segundo filho, de uma família de 12 irmãos. É filho do ilustre senhor Sansão Hortegal, esmerado funcionário público federal da Estrada de Ferro São Luís -Teresina e da distinta professora Maria do Socorro Ribeiro Hortegal, dos quais recebeu formação humanística e os sólidos princípios formadores de seu caráter. Iniciou seus estudos na Escola Ribamar Pinheiro em Pirapemas, seguindo para São Luís, onde estudou na Escola Modelo Benedito Leite e no Colégio Atheneu Teixeira Mendes, ali concluindo seus estudos nos cursos ginasial e colegial. Àquela época já demonstrava pendor para as artes literária e musical, tendo iniciado o grande acervo poético do qual é depositário.

Com o forte propósito de atender ao chamado de Esculápio, iniciou o curso pré-vestibular do professor José Maria do Amaral, em São Luís, sendo aprovado no curso de medicina da Universidade Federal do Maranhão, concluído com louvor. Foi admitido em seguida, para a Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Materno Infantil do INAMPS, atual Hospital Universitário de Universidade Federal do Maranhão. Segue desenvolvendo com ética e competência, sua especialidade, tendo contribuído para a formação de muitos especialistas nesta área, como preceptor do Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário da UFMA, onde exerceu a chefia do ambulatório de Ginecologia e Obstetrícia. Respeitado e admirado por seus aprendizes, ensinava não só seu esmero técnico, mas também pelo exemplo, a ética e a dignidade que devem nortear todo médico e com as quais nunca transigiu. Mas não se contentou, sua sede de conhecimento para o bem do próximo e honra da arte médica, levou-o a realizar curso de pós-graduação em Saúde da Família, curso de Ultrassonografia Clínica e Mestrado em Ciências da Saúde pela UFMA.

Logrou êxito em todos os concursos públicos aos quais submeteu-se, sendo admitido como médico Ginecologista e Obstetra do Ministério da Saúde,

lotado no Hospital Materno-Infantil; como Médico Legista, lotado no Instituto Médico Legal e como Professor da disciplina de Medicina Legal na Universidade Federal do Maranhão. É também Médico da Secretaria de Saúde do Estado do Maranhão.

Une-se ao médico, ao poeta e ao músico, um esmerado professor. O professor Hortegal, lecionou química e biologia em colégios e cursos pré- vestibulares de São Luís. Foi professor nas disciplinas de Medicina Legal e Deontologia Médica do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão e atualmente, atua como Professor de Ginecologia e Obstetrícia do Curso de Medicina da Universidade CEUMA. Sua ilibada reputação e notável saber científico, reverberam em convites para participação em bancas examinadoras, tanto de trabalhos de conclusão do curso de Medicina, quanto nas de conclusão de Especialização.

Une-se ao médico, ao poeta, ao músico e ao professor, o gestor público. Mais uma de suas atividades, desenvolvida com a mesma diligência e retidão. Dr. Hortegal, foi Diretor do Hospital Presidente Vargas em duas gestões, da Maternidade Nazira Assub, da Maternidade Benedito Leite, do Hospital Infantil Dr. Juvêncio Matos e atualmente é Diretor da Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão Marly Sarney, onde já exercera a chefia do Centro Obstétrico. A despeito de suas múltiplas atividades na capital do estado, não esqueceu suas origens, disponibilizando sua competência profissional ao interior do Maranhão, que ama e exalta em seus poemas. É médico querido e admirado, nos municípios de Pastos Bons, Nova Iorque, Sucupira do Norte, Morros, Rosário e Pirapemas, seu torrão natal.

Cumpre ressaltar o legado literário e a fundamental participação deste médico e escritor, em antologias da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES): Arte de Ser, Receita Poética, Terapia Poética, Sobre o Amor e Viver, Escrever e Cuidar, esta última a ser lançada ainda neste semestre. Seus escritos constam nos Anais do Congresso Nacional da SOBRAMES 2018, nos Anais da Jornada Nacional da SOBRAMES 2019 e nos Anais da Jornada Paulista da SOBRAMES 2019. Foi eleito e atualmente é o presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores Regional Maranhão, atuando incansavelmente para a divulgação da literatura, da cultura e das artes maranhenses. O amor por sua cultura e pelas artes, está lavrado no Hino da SOBRAMES MA, de sua autoria. É compositor de diversas toadas de bumba-meu-boi e de canções de cunho romântico e religioso, expressando sua profunda fé católica. É membro da Academia Atheniense

de Letras e Artes, tendo ainda participado da antologia “Cento e Noventa Poemas para Maria Firmina”, como convidado, pela Academia Ludovicense de Letras e Artes. Esta é a têmpera do poeta.

Sêneca advertiu-nos: “Solidão não é estar só, é estar vazio”. Ao poeta é boa a solidão, nunca o vazio da alma. E em busca daquela que o completaria, o jovem Hortegal encontrou Lúcia Maria. Casaram-se e formaram bela família, com as filhas Lícia, Tália e Andrezza e como incremento à felicidade, vieram as netas Marina e Maria Fernanda. Desta feita, transformou-se o menino em homem; o homem em esposo amoroso, pai esmerado e avô orgulhoso. Referência de vida aos seus descendentes.

Portanto, confreiras e confrades, este é o novo acadêmico de quem vos falei e vos apresentei, nesta noite de 31 de janeiro de 2020.

Prezado Hortegal, exultamos com vossa chegada, como exultaram Esculápio, Higeia e Panacea, quando vos escolheu, a Medicina. Ingressais hoje no seleto rol dos imortais da medicina e é justamente nisto que consiste vossa imensurável responsabilidade: permanecer honrando nossa arte, esta casa, vosso patrono João Braulino de Carvalho e vossa antecessora nesta cadeira que doravante ocupareis, a saudosa confreira Lúcia Fernanda Bastos Viana. E mais! Reforçareis nossas fileiras na luta pela manutenção dos princípios éticos da medicina e na observação da evolução científica, pois os tempos futuros hão de ver assombros muito mais vertiginosos, do que os viram os tempos pretéritos, do que os que vê o nosso tempo.

Esta Casa buscou sempre o cálice da tradição. Uma tradição que nos ensinou a conviver com os impasses da história, a resistir aos tormentos da modernidade fátua. Portanto, não se concebe o ingresso nesta casa, sem digna saudação de nossa parte. Tão pouco, sem o justo laurel aos que nos antecederam. Nisto consiste a imortalidade nossa e vossa.

Prezado confrade Hilmar Ribeiro Hortegal, amigo querido, sede bem-vindo à casa de Antônio Nilo!

Muito obrigada.

Acad. Márcia da Silva Sousa – Cadeira No 46

Discurso De Saudação Do Presidente Da Academia Maranhense De Medicina Prof. Doutor José Márcio Soares Leite, Ao Dr. Hilmar Ribeiro Hortegal A Ser Empossado Como Acadêmico Da Academia Maranhense De Medicina, No Dia 31/01/2020.

Excelentíssima Juíza Federal da 1ª Região, Secção Judiciária de …………………, Ilustrissimo senhor Presidente do Conselho Regional de Medicina- CRM/MA Dr. Abdon Murad, ilustríssimo senhor Dr. Mauro César de Oliveira, Presidente da Associação Médica Maranhense, Ilustríssimo senhor Presidente da Sociedade Brasileira de Escritores Médicos- SOBRAMES, ilustres Confrades e Confreiras da Academia Maranhense de Medicina, senhores profissionais de saúde, familiares do Dr. Hilmar Ribeiro Hortegal, meus senhores e senhoras. 

Hoje empossamos neste sodalício, onde já se encontram as ilustres Confreiras Gineco-Obstetras, Maria do Socorro Moreira de Souza, Marília da Glória Martins; Luciane Maria Oliveira Brito, Márcia Silva Sousa e o Confrade Francisco da Cunha Costa, o Gineco-Obstetra Hilmar Ribeiro Hortegal.

Em 1903, o pintor vienense Gustav Klimt havia terminado o quadro A Esperança I, representando uma mulher grávida nua, o que não era comum na arte ocidental, especialmente no século XIX. O quadro causou polêmica e foi considerado obsceno, ficando numa espécie de reclusão, voltando a ser exposto em 1909. O que um quadro com tal temática podia ter de ofensivo à moralidade burguesa ? Para responder a esta pergunta tomemos um outro quadro, produzido por Renoir 17 anos antes. Apesar das diferenças estilísticas e culturais entre os dois pintores, ambos representaram a mulher, com a diferença que Klimt a retratou grávida, enquanto Renoir pintou sua esposa amamentando seu filho. Em ambos, o tema da maternidade está presente, seja na espera, seja na efetivação da ligação mãe e filho. O quadro de Renoir, de 1886, intitulado Maternidade, ou Mulher amamentando seu bebê, entretanto, é uma exaltação à maternidade centrada na amamentação, um ato de relevância moral, celebrado pela medicina de então como a maior demonstração do amor materno e a garantia de um filho, e futuro cidadão, saudável. Pensando nos diferentes discursos que exaltavam a maternidade, esse quadro é uma objetivação das idéias e valores a respeito dos papéis de gênero, do casamento, da família e, principalmente, da mulher. Como tal, apresenta uma visão idílica da maternidade, sem nenhuma referência à sexualidade ou aos momentos anteriores da gravidez e do parto. 

Essas duas imagens separadas por quase vinte anos são contemporâneas de uma crescente preocupação médica e social com a maternidade. Médicos, filantropos e religiosos uniram-se para dar melhores condições às mulheres pobres para que elas pudessem ter seus filhos. Os médicos do final do século XIX já conheciam melhor o mecanismo do parto e estavam equipados com instrumentos e técnicas cirúrgicas para resolver partos complicados. Os hospitais já não eram mais os espaços lúgubres e mal cheirosos que tanto pavor causavam às mulheres. Maternidades equipadas e organizadas sob o princípio da assepsia, voltadas principalmente para o atendimento de mulheres pobres e das classes trabalhadoras, começavam a se tornar indispensáveis nos centros urbanos. A mulher grávida e a parturiente, portanto,  tornaram-se o centro das atenções dos obstetras nesta fase. A obstetrícia era uma especialidade nova – nascida nas faculdades de medicina européias na primeira metade do século XIX – e ainda lutava para ser reconhecida, tanto no meio médico quanto para o público leigo, em especial para os maridos e suas esposas. Algumas mulheres já chamavam o médico- parteiro para atendê-las nos partos domésticos, mas a maioria delas, principalmente nas classes populares, ainda preferia contar com a presença da parteira, das parentas ou vizinhas, para socorrê-las em meio às dores e incertezas do parto. O período que começa nas últimas décadas do século  XIX  marca o início de uma campanha  médica  de transformação do parto num evento controlado pelos médicos e circunscrito ao espaço hospitalar; transformação esta que se efetivou somente na segunda metade do século XX, com a hospitalização do parto nos centros urbanos.

Na França, o ensino da obstetrícia foi oficializado no início do século XIX, no período napoleônico, com a criação da Cadeira de Partos, Doenças das Mulheres Paridas e das Crianças Recém-Nascidas. A obstetrícia francesa tornou-se o modelo para todos os outros centros de ensino médico até o final do século XIX,

quando então a Alemanha e a Inglaterra passaram a fornecer um novo modelo para os campos da obstetrícia e da ginecologia. O ensino ministrado pela Cadeira de Partos nas faculdades de medicina de Paris e de Montpellier foi reproduzido em outros países, entre eles o Brasil, no século XIX, na Academia Real de Medicina do Rio de Janeiro, que posteriormente transformou-se na Faculdade Nacional de Medicina, onde a primeira Cadeira de Obstetrícia tinha exatamente o mesmo nome francês. 

O ensino oficial da obstetrícia pode ser analisado pelo impacto das  novas informações produzidas pelas ciências biológicas, pela reação política do governo francês à mortalidade materno-infantil, mas não se pode esquecer que a oficialização do ensino foi contemporânea às publicações médicas sobre a natureza feminina que vinham sendo produzidas desde meados do século XVIII. Ao estabelecer a natureza física da mulher como fundamento de seu papel  na sociedade,  os médicos defenderam a necessidade de um ensino voltado para a especificidade reprodutiva do sexo feminino, bem de acordo com o ideário rousseauísta difundido entre médicos.

Fechava-se, assim, um ciclo iniciado  por Hipócrates, o pai da medicina ao escrever O Corpus Hipocraticum, no século V a.C. e os livros dos médicos alexandrinos do século II a respeito da obstetrícia, que integraram os conhecimentos empíricos das parteiras às teorias médicas sobre saúde e doenças, que, ao longo do tempo e pela falta de contato entre médicos e mulheres, foram teóricos e especulativos.

A partir de hoje, no entanto Dr. Hilmar Ribeiro Hortegal, com seu ingresso nesta Casa, o Confrade passará a conviver com os dois mundos do Estado da Arte da Gineco-Obstetrícia: O mundo da ciência médica e da técnica gineco-obstétrica e o mundo da literatura geral e médica e da história da medicina e, essa tem sido a missão da Academia Maranhense de Medicina em seus 31 anos de existência. Lutar pela manutenção dos postulados éticos e médicos da medicina e pela preservação de sua história, reconhecendo os modernos avanços técnico-científicos, mas valorizando o passado sobre os quais esses avanços foram erguidos, salientando sempre a importância da humanização do ato médico.

Seja bem-vindo Dr. Hilmar Ribeiro Hortegal à nossa Academia. Muito Obrigado!

Discurso De Saudação Do Presidente Da Academia Maranhense De Medicina Prof. Doutor José Márcio Soares Leite, Ao Dr. José Aparecido Valadão A Ser Empossado Como Acadêmico, No Dia 04/08/2017.

Ilustríssimo senhor Presidente do CRM/MA Dr. Abdon Murad, ilustríssimo senhor Dr. Mauro César de Oliveira, Presidente da Associação Médica Maranhense, senhores Diretores do Hospital São Domingos, aqui representados pelo Dr. Hélio Mendes da Silva, ilustres Confrades e Confreiras da Academia Maranhense de Medicina, senhores profissionais de saúde, familiares do Dr. José Aparecido Valadão, meus senhores e senhoras. 

Hoje empossamos neste sodalício, onde já se encontram os ilustres Confrades cirurgiões, Domingos Costa, Abdon Murad, Gutemberg Araujo e o cirurgião pediátrico Jayron Guimarães, o cirurgião, Dr. José Aparecido Valadão.

 A cirurgia, é o ramo da medicina que se propõe curar pelas mãos. Cirurgia é ciência e arte. Como ciência, tem renovação dinâmica e constante de preceitos e conceitos em função da sua própria evolução. Como arte exige um aprendizado manual paciente e bem conduzido. Será aprendida mais facilmente por aqueles que nascem com vocação e aptidão específicas,como acontece com todas as artes.

Na evolução histórica da cirurgia, o papiro cirúrgico de Edwin Smith, escrito por volta de 1700 a.C., é um dos mais importantes documentos da medicina antiga do Egito. Na Grécia, no século V a.C., Hipócrates, o pai da Medicina, em seu Corpus Hipocratticum, nos diz que… “o que as drogas não curam, a faca curará”.  Na Índia, no século IV a.C., houve um desenvolvimento grande da cirurgia plástica, principalmente das rinoplastias.  Em 150 a.C., foi proibido que cirurgiões, operassem pacientes para retirada de cálculos. Na idade média, período compreendido entre os séculos V a XV d.C. , o cirurgião bizantino Paulus Aegineta, escreveu um breviário de cirurgia, sobre traqueotomia, tonsilectomias, flebotomias e redução do tamanho das mamas. No século IX apareceram as primeiras escolas de medicina. A primeira foi a Scuola Médica Salenirtana, em Salerno-Itália, pioneira no estudo de anatomia e cirurgia. Rogerius Frugardi, professor dessa Escola, publicou em 1.180 d.C. , o livro “Practica Chirurgiae”, que serviu de base para os manuais de cirurgia ocidentais, influenciando-os até os tempos modernos. Em 1222 é criada a Universidade de Pádua, que contou com destacados professores de anatomia e cirurgia, como Giambattista Morgagni, Andreas Vesalius e Gabriel Faloppio, dentre outros. No fim do século XIII e início do século XIV, as escolas francesas aumentam seu prestígio e dois cirurgiões se distinguem: Henri de Mondeville e Guy de Chauliac (1260-1368), que preconizaram que as feridas limpas cicatrizam melhor. Os corpos estranhos deveriam ser removidos e o sangramento parado. A Obra de Chauliac, Chirurgia magna, foi terminada em 1363 em Avignon-França. Em sete volumes, o tratado abrange Anatomia, Sangria, Cauterização, Medicamentos, Anestésicos, Feridas, Fraturas e  Úlceras.  Do século XV em diante, no período renacentista, ressurge uma nova cirurgia na Europa, em virtude do desenvolvimento da anatomia e da fisiologia, porém apenas no século XVI os cirurgiões atingiram sua autonomia com Ambroise Paré (1510-1590), considerado o fundador da ortopedia, que modificou o tratamento das feridas que, até então, eram cauterizadas e queimadas com óleo. Quando o rei Carlos IX ficou doente, disse a Paré: “Espero que vás tratar melhor o rei do que os pobres do hospital.” Ambroise Paré respondeu: “Não, isto é impossível.” “E por que?” Perguntou-lhe o rei. Respondeu: “Porque eu os trato como reis.” Em 1715, Luís XV  decreta que o ensino da cirurgia seja incluído nas Escolas de Medicina da França. 

No Brasil, no início do século XVIII encontramos poucos relatos sobre o ensino da cirurgia e da própria técnica cirúrgica. O século XIX caracterizou-se pelo desenvolvimento do conhecimento que auxiliaram o crescimento da cirurgia. Cabe citar o controle da hemorragia, principalmente com novos recursos técnicos, o conhecimento do controle de infecção, a assepsia e a anti-sepsia e o controle da anestesia, que ofereceu uma possibilidade imensa para o maior alcance das intervenções cirúrgicas. No início do século XX existia o cirurgião que de forma abrangente, realizava os chamados procedimentos operatórios. O desenvolvimento científico e a necessidade do emprego de técnicas especiais proporcionaram o surgimento dos especialistas. No final dos anos 50 já tínhamos outras especialidades com alcances precisos e definidos, como a cirurgia torácica, a neurocirurgia, a cirurgia plástica e a cirurgia cardíaca.  Da segunda metade do século XX  às primeiras duas décadas do século XXI inúmeros progressos tecnológicos proporcionaram o emprego de novos avanços, como a cirurgia dos transplantes de órgãos, a microcirurgia, o emprego de próteses e endopróteses, a cirurgia videoendoscópica e as técnicas de imagem congregando a radiologia invasiva e esperamos um crescimento nas áreas já citadas e principalmente um trabalho importante na cirurgia que utiliza as células-tronco, inclusive.

A partir de hoje, no entanto Dr. José Aparecido Valadão, com seu ingresso nesta Casa, o Confrade passará a conviver com os dois mundos do Estado da Arte da Cirurgia: O mundo da ciência médica e da técnica cirúrgica e o mundo da literatura geral e médica,  o mundo da história da medicina e, essa tem sido a missão da Academia Maranhense de Medicina em seus 29 anos de existência. Lutar pela manutenção dos postulados éticos e médicos da medicina e pela preservação de sua história, reconhecendo os modernos avanços técnico-científicos, mas valorizando o passado sobre os quais esses avanços foram erguidos, salientando sempre a importância da humanização do ato médico.

Antes de encerrar estas minhas palavras, desejo homenagear o Confrade José Aparecido Valadão e os cirurgiões desta Casa,  com esta citação do cirurgião maranhense Raimundo de Mattos Serrão, em artigo escrito em 1973, no períodico Hospital em Noticias,  para quem o cirurgião tem que possuir os três “H” exigidos para o perfeito exercício da arte e técnica cirúrgicas: Head (cabeça), ou seja, conhecimento e sentimento; Hearth (coração), por sua sensibilidade e amor à arte cirúrgica; Hand (mão), por sua habilidade manual e sincronismo de movimentos. Os Confrades cirurgiões, desta Academia com certeza os têm.

Seja bem-vindo Dr. José Aparecido Valadão a nossa Academia. Muito Obrigado!

Discurso De Saudação Do Presidente Da Academia Maranhense De Medicina Prof. Doutor José Márcio Soares Leite, Ao Dr. Raimundo Alexandrino De Souza Lima, A Ser Empossado Na Cadeira Nº 48, Patroneada Por Dr. Expedito Aguiar Bacelar, No Dia 09/03/2018.

Ilustríssimo senhor Presidente do CRM/MA Dr. Abdon Murad, ilustríssimo senhor Dr. Mauro César de Oliveira, Presidente da Associação Médica Maranhense,  lustres Confrades e Confreiras da Academia Maranhense de Medicina, senhores professores, senhores profissionais de saúde, familiares do Dr. Raimundo Alexandrino de Souza Lima, meus senhores e senhoras. 

Hoje empossamos neste sodalício, onde já se encontram os ilustres Confrades cirurgiões, Domingos Costa, Abdon Murad, Gutemberg Araujo, Elias Amorim e o cirurgião pediátrico Jayron Guimarães, o cirurgião pediátrico e professor de Saúde Pública, Dr. Raimundo Alexandrino de Souza Lima.

A cirurgia pediátrica teve seu nascimento na França, no ano de 1614, durante o reinado de Luis XIII e a regência de Maria de Médices, com a noeação do cirurgião Mosnier para dirigir uma enfermaria dedicada às crianças. Desde o final do século XIX e início do século XX, foram surgindo médic os interessados nas patologias da criança, publicando-se então, sobretudo na França, os primeiros livros de texto sobre cirurgia inantil, nomeadamente o de Ombredanne e a primeira cátedra de cirurgia pediátrica é criada em Paris em 1899.

O grande avanço qualitativo da cirurgia pediátrica, dáse após o término da II Guerra Mundial, graças aos estudos nos campos da anestesia e da fisiopatologia.

Declaração da Cirurgia Pediátrica, exarada no Congresso Mundial – World Federation of Associations of  Pediatric Surgeons (WOFAPS) – em Kyoto , Japão: “A criança não é apenas um adulto em miniatura e apresenta problemas e necessidades médicas e cirúrgicas, muitas vezes bastante diversas daquelas encontradas pelo médico de adultos. Lactentes e crianças merecem o melhor atendimento médico disponível. Todo o lactente ou criança que apresenta uma doença tem o direito de ser tratado em um ambiente adequado por um especialista em Pediatria e Cirurgia.

O Cirurgião Pediátrico, portanto, deve ser  um profissional especialmente treinado e habilitado a lidar com lactentes e crianças que necessitem diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças potencialmente cirúrgicas que acometem entre outros os tratos digestório, urinário e respiratório, sejam defeitos congênitos , traumatismos graves ou tumores sólidos da infância de caráter benigno ou maligno e o agora Confrade Raimundo Lima, possui esse conhecimento, expresso em conhecimento, habilidades e atitudes. 

No curso do seu exercício profissional, ao lidar principalmente com as patolgias de crianças pobres no Hospital Infantil Dr. “Juvêncio Matos”, terminou por coompreender que grande parte dos determinantes e condicionantes do processo saúde-doença desssas crianças era devido à realidade epidemiológico social de suas famílias, de suas comunidades, fato que o levou também a abraçar a Saúde Pública ou Saúde Coletiva, optando pelo ensino dessa área, buscando sensibilizar o maior número de profissionais da área da saúde, que tiveram a oportunidades de terem sido seus alunos na Universidade Federal do maranhão UFMA. 

A partir de hoje, no entanto, com seu ingresso nesta Casa, o agora Confrade passará a conviver com os dois mundos do Estado da Arte da Cirurgia Pediátrica e da Saúde Pública: O mundo da Medicina Social e da técnica cirúrgica e o mundo da literatura geral e médica,  o mundo da história da medicina e, essa tem sido a missão da Academia Maranhense de Medicina em seus 29 anos de existência. Lutar pela manutenção dos postulados éticos e médicos da medicina e pela preservação de sua história, reconhecendo os modernos avanços técnico-científicos, mas valorizando o passado sobre os quais esses avanços foram erguidos, salientando sempre a importância da humanização do ato médico.

Antes de encerrar estas minhas palavras, desejo homenagear o Confrades Raimundo Lima e Jairo Guimarães, cirurgiões pediátricos com esta frase do Doutor Mark Ravitch, considerado um dos fundadores da Cirurgia Pediátrica no mundo como Especialidade, que disse: “Cirurgia não é um lugar ou um evento, ela é fundamentalmente uma disciplina intelectual, frequentemente envolvendo um procedimento cirúrgico; contudo, mais importante ainda, caracterizada por uma atitude de responsabilidade para com o cuidado do doente.” Os  Confrades,  com certeza praticam essas virtudes.

Seja bem-vindo Confrade Raimundo Lima a nossa Academia.

Muito Obrigado!

Discurso De Saudação Do Presidente Doutor José Márcio Leite Ao Dr. Carlos Macieira Ao Ser Empossado Na AMM.

Ilustrissimo senhor Dr. Abdon Murad, Presidente do CRM/MA, ilustríssimo senhor Dr. José Figueiredo de Albuquerque, neste ato representando o Dr. Mauro César Oliveira, Presidente da Associação Médica do Maranhão, Excelentíssimos Juizes de Direito aqui presentes, ilustres Confrades e Confreiras da Academia Maranhense de Medicina, ilustríssima senhora, Dra. Helena Barros Heluy, ilustríssima senhora Dra. Simone Macieira e excelentíssima senhora Dra. Rosângela Macieira e respectivamente, Mãe e esposa do empossando , e demais familiares do Dr. Carlos Macieira, senhores profissionais de saúde, meus senhores e senhoras.

Hoje empossamos nesta Casa o médico nefrologista Dr. Carlos de Andrade Macieira, que passa a integrar a nossa Confraria, ocupando a Cadeira nº 45, patroneada por Dr. Alfredo Luiz Bacelar Viana, médico psiquiatra e professor de psicopatologia e clínica psiquiátrica, da Universidade Federal do Maranhão, poeta, ensaísta, membro da Academia Maranhense de Letras, autor dos Livros: “Elegia da Rosa” (poesia); “Três Evocações” (ensaios) e do poema Clamor de São Luís, que representam o grau mais avançado de evolução literária a que chegou o poeta de Aula da Saudade. 

O Prof Nagib Curi, cirurgião paulistano de grande destaque, dentre seus incontáveis ensinamentos, repetia como um mantra que o que “o caracterizava um bom médico não era somente o conhecimento acumulado, mas a atenção verdadeira dedicada ao doente, ao seu diagnóstico e tratamento”. E esses méritos você os tem, Confrade Carlos Macieira, consoante pude constatar em várias ocasiões nos serviços públicos ou credenciados pelo Sistema Único de Saúde, que você integra como nefrologista.

A história da nefrologia brasileira se legitima em 2 de agosto de 1960, quando vários nefrologistas de São Paulo e de outros Estados brasileiros fundaram a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), uma Entidade que, dois anos depois, já promovia o seu primeiro Congresso de abrangência nacional. Hoje contamos no Brasil com o que há de mais moderno no mundo para o diagnóstico e tratamento das nefropatias,  mas infelizmente a incidência e a prevalência da doença renal crônica tem aumentado progressivamente no Brasil a cada ano, em “proporções epidêmicas”, constituindo-se um grande desafio para a Saúde Pública e a exigir a intensificação dos cuidados básicos em saúde, no que pertine principalmente à hipertensão arterial e ao diabetes.

A partir de hoje, no entanto, Dr. Carlos de Andrade Macieira, com seu ingresso nesta Casa, o Confrade passará a conviver com os dois mundos do Estado da Arte da Nefrologia: O mundo da ciência médica e o mundo da literatura e da história da medicina. E essa tem sido a missão da Academia Maranhense de Medicina desde a sua fundação e por isso somos imortais, não no sentido empregado na mitologia grega, em que existiam as moiras ou parcas, tecelãs do destino: Cloto, Láquesis e Átropos, damas sombrias representadas na literatura, especialmente na poesia clássica, que tinham o terrível compromisso de elaborar, tecer e interromper o fio da vida de todos os seres, mas a imortalidade da literatura, da cultura, de nossas obras, da poesia, pois já nos deixou dito Carlos Drummond de Andrade: “Eterno, é tudo aquilo que mesmo que dure uma fração de segundo, mas o faz com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata”.

Encerro minhas palavras homenageando o Confrade Carlos de Andrade Macieira, ora empossado, o seu avô Dr. Carlos dos Reis Gomes Macieira e o Dr. Fernando Ribamar Viana, Patronos respectivamente das Cadeiras de números 8 e 15 deste Sodalício e  que  continuam sendo uma grande inspiração para todos nós e para as gerações futuras, com esta estrofe do poema Clamor de São Luis, do médico e poeta Alfredo Luís Bacelar Viana, Patrono da Cadeira nº 45 desta Academia:

São Luís, São Luís, cidade amada,

Solarenta pousada à beira-mar,

É com a alma triste e dilacerada

Que entôo esta canção pra te acordar.

Acorda desse horrível pesadelo

Em que te querem pra sempre acorrentar,

Arranca de teu peito o escalpelo

Que pretende tua alma dissecar,

Revolta-te, enfurece-te, ouve o apelo

Dos teus filhos que querem te salvar!

Sede bem vindo a nossa Academia, Confrade, Carlos Macieira. Muito Obrigado!

Discurso Do Presidente Da Academia Maranhense De Medicina Na Solenidade Em Homenagem A 31 Ilustres Médicos Maranhenses.

Saudação aos presentes (fichas de Abigail) ………………………….., Confrades e Confreiras desta Academia, senhores profissionais de saúde, minhas senhoras, meus senhores.

No quadro do pintor renascentista italiano Rafael Sanzio, “Escola de Atenas”, pintado entre 1509/1511, que ilumina o museu do Vaticano, estão os homens que brilharam na antiguidade Helênica. A pintura já foi descrita como a obra prima de Rafael e a personificação perfeita do espírito clássico do Renascença. A importância da obra também está em demonstrar como a filosofia e a vida intelectual da Grécia antiga foram vistas ao final do renascimento. Felizmente não faltam empreendimentos como este, no cenário nacional e internacional para identificar grandes nomes da história humana. Esse tipo de iniciativa contrabalança a irresistível tendência do mundo para o esquecimento das pessoas ilustres que muito contribuíram para a humanidade. Aqui no Brasil o banimento de nomes da memória coletiva é quase regra. Para a maioria daqueles que se destacaram sobra apenas um retrato na sala, que não sobrevive à segunda geração.

A medicina não é uma atividade pronta, conclusa. Está em permanente construção. Faz-se mister, portanto, lembrar quem dela participou ou participa ativamente. Nós da Academia Maranhense de Medicina demos as mãos ao Conselho Regional de Medicina do Maranhão à Associação Médica Brasileira, seccional do Maranhão, e ao Sindicato dos Médicos do Maranhão para, acima das nossas especificidades, instituir a condecoração HONRA AO MÉRITO MÉDICO MARANHENSE, para agraciar anualmente, grandes médicos maranhenses que já prestaram ou ainda prestam relevantes serviços médicos à sociedade maranhense.

Nesta noite não reverenciamos simplesmente profissionais médicos, pois a medicina é mais do que isso. É um compromisso com fazer o bem. Eles serviram nossa sociedade ensinando, assumindo funções públicas muitas vezes ingratas, realizando trabalho voluntário e, mais importante, dando exemplos. Daí esta homenagem não ser por um fato, uma ação relevante. Hoje reverenciamos a vida desses homens e mulheres. Acima das instituições que representamos, os nomes desses grandes médicos e médicas que ora homenageamos, foram indicados por todos os Acadêmicos e Acadêmicas que integram a Academia Maranhense de Medicina.

A Academia Maranhense de Medicina por sua transversalidade inabalada pelo tempo, é uma chama permanente a guiar os caminhos e clarear a tão conturbada realidade que se nos apresenta quanto aos rumos de nosso País e da nossa profissão. Sinto-me, portanto, revigorado e feliz por poder contribuir com essa força, que tem seu lastro na sua história e no exemplo que sempre trará aos colegas e à arte médica.

Segundo o poeta português Fernando Pessoa, “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Indubitavelmente, essas pessoas foram ou são incomparáveis, pois segundo Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, “Vivemos com o que recebemos, mas marcamos a vida com o que damos”. Esse paradigma é de suma importância na vida dos médicos, porque segundo o Dr. Adid Jatene … “se tudo mudou nas últimas décadas e se a medicina também mudou, não mudou o homem, que diante da doença continua inseguro, aflito e com medo, quando diante do sofrimento da doença lhe falta a certeza de poder contar com alguém que lhe desperte a confiança e a fé. Tudo é feito porque acreditamos que a missão de aliviar, confortar e curar é uma dádiva que nos engrandece e nos enobrece, porque cuidamos do que a pessoa tem de mais nobre, que é a sua própria vida”.

Ser médico, certamente, não é tarefa fácil. Até porque a Medicina não é somente números e estatística; é sentimento e arte; sentimento que nasce do indissociável compromisso de solidariedade com o homem. Arte, que aflora da sensação de que o conhecimento científico não encerra em si toda a natureza do ofício.

Li, certa vez, em algum lugar, que o segredo do médico é compreender as pessoas, além das doenças. O médico entende o sofrimento humano e o respeita. Seu esforço para compreender o mecanismo e as consequências das doenças vai além do físico e do químico para penetrar no espírito das pessoas e partilhar suas aflições. 

Encerro minhas breves palavras citando a frase de madre Tereza de Calcutá para explicar a chama que deve guiar a inteligência para a busca de solução dos mais diferentes aspectos da vida humana: “Sem fé não existe amor, sem amor não existe entrega de si, e quem não for capaz de fazer a entrega de si, não está preparado para tratar dos que sofrem”. Posso assegurar-lhes, contudo, posso dar meu testemunho, de que todos os médicos e médicas que estão sendo hoje homenageados estão ou estiverem imbuídos desse espírito humanitário a que alude Madre Maria Tereza de Calcutá e seus exemplos de vida, continuam a ser uma grande inspiração para todos nós e para as gerações futuras de médicos.

Quero estender esta homenagem aos familiares dos médicos e médicas homenageados in memoriam. Aos que estão presentes, peço a Deus que os ilumine para que possam continuar sempre generosos, amáveis e solidários com o sofrimento de quem precisa de um afago, de mais atenção e de uma palavra amiga para que revigore a força de vontade de viver.

Alguém já disse que ser médico é algo extremamente complexo, porém necessário; é algo arriscado, porém preciso; é algo difícil, porém possível; é algo sofrido, porém fonte de felicidade para quem gosta de gente e de observar no outro o sonho de ver em cada um a extensão de sua própria vida.

Agradeço a presença de todos os colegas homenageados e de seus familiares e amigos.

Está encerrada esta solenidade, convido-os para um coquetel na nossa antessala.

Discurso Do Presidente Da Academia Maranhense De Medicina Na Solenidade Em Homenagem A 30 Ilustres Médicos Maranhenses.

Saudação aos presentes (fichas de Abigail)………………………………………., Confrades e Confreiras desta Academia, senhores profissionais de saúde, minhas senhoras, meus senhores.

No quadro do pintor renacentista italiano Rafael, “Escola de Atenas”, que ilumina o museu do Vaticano, estão os homens que brilharam na antiguidade Helênica. Felizmente não faltam empreendimentos no cenário nacional e internacional para identificar grandes nomes da história humana. Esse tipo de iniciativa contrabalança a irresistível tendência do mundo para o esquecimento. 

A medicina não é uma atividade pronta, conclusa. Está em permanente construção. Faz-se mister, portanto,  lembrar quem dela participou ativamente. Nós da Academia Maranhense de Medicina demos as mãos à Associação Médica Maranhense, ao Conselho Regional de Medicina do Maranhão e ao Sindicato dos Médicos do Maranhão para, acima das nossas especificidades, instituir a condecoração HONRA AO MÉRITO MÉDICO MARANHENSE. A lista poderia ser maior, mas as próximas edições hão de corrigir eventuais injustiças. 

Os grandes médicos que aqui estão sendo homenageados esta noite, seriam grandes em qualquer estado brasileiro, alguns em qualquer hospital do mundo.  Nesta noite não reverenciamos simplesmente profissionais médicos, pois a medicina é mais do que isso. É um compromisso com fazer o bem. Eles serviram nossa sociedade ensinando, assumindo funções públicas muitas vezes ingratas, realizando trabalho voluntário e, mais importante, dando exemplos. Daí esta homenagem não ser por um fato, uma ação relevante. Hoje reverenciamos a vida desses homens e mulheres.

Segundo o poeta português Fernando Pessoa, “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”. Indubitavelmente, essas pessoas foram ou são incomparáveis, pois segundo Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, “Vivemos com o que recebemos, mas marcamos a vida com o que damos”. Esse paradigma é de suma importância na vida dos médicos, porque segundo o Dr. Adid Jatene … “se tudo mudou nas últimas décadas e se a medicina também mudou, não mudou o homem, que diante da doença continua inseguro, aflito e com medo, quando diante do sofrimento da doença lhe falta a certeza de poder contar com alguém que lhe desperte a confiança e a fé. Tudo é feito porque acreditamos que a missão de aliviar, confortar e curar é uma dádiva que nos engrandece e nos enobrece, porque cuidamos do que a pessoa tem de mais nobre, que é a sua própria vida”.

Encerro minhas breves palavras citando a frase de madre Tereza de Calcutá para explicar a chama que deve guiar a inteligência para a busca de solução dos mais diferentes aspectos da vida humana: “Sem fé não existe amor, sem amor não existe entrega de si, e quem não for capaz de fazer a entrega de si, não está preparado para tratar dos que sofrem”.

Posso assegurar-lhes, posso dar meu testemunho, de que todos os médicos que estão sendo hoje homenageados ………………………………. ( citar a lista) estão ou estiverem imbuídos desse espírito humanitário a que alude Madre Maria Tereza de Calcutá e seus exemplos de vida,  continuam  a ser uma grande inspiração para todos nós e para as gerações futuras de médicos.

Agradeço a presença de todos os colegas homenageados e de seus familiares e amigos.

Está encerrada esta solenidade, convido-os para um coquetel na nossa antesala.

Discurso Na Solenidade Alusiva Aos 28 Anos Da Academia Maranhense De Medicina.

A Academia Maranhense de Medicina completa 28 anos de existência, e sua história pode ser vista hoje não apenas à luz do contexto maranhense e brasileiro, que certamente lhe imprimiram suas marcas, mas como produto do idealismo e da vontade de grandes homens. Evoco aqui as figuras tutelares de 30 ilustres colegas médicos, hoje homenageados, que no ano de 1988 se dispuseram a criar uma Entidade que pudesse acompanhar a evolução da Medicina em nosso Estado, a par de discutir e apresentar sugestões para o enfrentamento dos problemas de saúde no Maranhão e do Brasil. 

Se pudesse resumir as lições aqui aprendidas, durante o convívio com todos vocês, Confrades e Confreiras, diria que o maior legado da Academia Maranhense de Medicina no curso desses anos, foi um ethos que combina perfeitamente a certeza com a capacidade de interrogar, a teoria com a prática, a ciência com a moral. 

Hipócrates, o pai da medicina, nos diz em seu Corpus Hippocraticum, que a medicina é essencialmente a primazia de princípios éticos e morais, quais sejam: determinação diante do trabalho, paz, amor, solidariedade, compaixão, fraternidade, tolerância, aceitação das diferenças, e respeito aos pacientes.

Não sem razão são, em linhas gerais, estes mesmos princípios, aqueles citados como éticos, por Hipócrates,  compõem importantes pilares da nossa prática: o compromisso da Medicina com a vida; a técnica, que implica no investimento no trabalho e no desenvolvimento técnico científico; a relação médico paciente que deve estar imbuída de respeito e compaixão; e a confidencialidade, enquanto prática quase que sacerdotal que valoriza o segredo profissional como expressão do respeito à privacidade do paciente. 

Enquanto campo científico, a Medicina está firmemente empenhada em diminuir as incertezas dos que a praticam, aumentando sua racionalidade. Naturalmente que uma boa prática médica deve incluir elementos de resolubilidade; eficiência em termos biológicos, econômicos e psicossociais; segurança e respeito ao ser humano.

Mas, nunca esqueçamos o ofício hipocrático: uma boa prática médica é aquela que incorpora elementos de sabedoria e de compaixão, de intenção consciente e moralmente justificada para cada ato, de decisões tomadas com correção, zelo e coração. Essas disposições hipocráticas e cristãs, devem conduzir o nosso exercício profissional.

Nesse contexto, recorro a um poema em Telugo, uma das línguas indianas, que tem autonomia e reverbera intelectualidade com publicações importantes, e que até parece que foi dirigido para nós médicos e que diz: “O dever mais importante do homem é fazer com que o rio do Divino Amor flua a cada um e a todos. O homem não nasceu meramente para viver para si mesmo. Somente por dedicar sua vida ao serviço à sociedade irá ele enobrecer a si mesmo e atingir a realização pessoal. Deus enviou o homem a este mundo para praticar e propagar esta mensagem. Que valor tem o nascimento do ser humano se o homem permanece como um fardo pesado sem servir à sociedade?”

Na história da medicina no Maranhão, destaca-se um período colonial (séculos XVII e XVIII), caracterizado pela existência de cirurgiões-barbeiros e boticários e de um Hospital Militar. Nesse período, a população foi afetada por epidemias de sarampo, varíola, peste bubônica e gripe espanhola. Em seguida, evidenciaram-se, já no período imperial (século XIX), os primeiros médicos e a instalação da Santa Casa de Misericórdia do Maranhão. O antigo Hospital Militar mudou-se para a Casa de Retiro Espiritual dos Jesuítas, na Ponta de Santo Amaro, com a denominação de Hospital Regimental (hoje Hospital Geral do Estado), e instalou-se um hospital privado, denominado Hospital Português. Destaca-se ainda nesse período a alta mortalidade por malária. No período republicano, até meados do século XX, foram construídos ou instalados em São Luís e no interior inúmeros hospitais públicos e privados.

No passado, época em que exerceram a medicina os Patronos desta Academia, a tecnologia para tratamentos de saúde era baixa, assim como os custos e o acesso de doentes a tratamento, além de terem tido o privilégio de terem exercido em sua plenitude a relação médico paciente. 

O período da Medicina que estamos vivenciando iniciou-se na década de 70 do século passado e tem como características as especialidades médicas, os modernos equipamentos de apoio diagnóstico, os transplantes de órgãos, a terapia dita invasiva, as Unidades de Terapia Intensiva e os grandes avanços nos campos da cirurgia, da  imunogenética e da biologia molecular, avanços técnico-científicos necessários, mas que encareceram exponencialmente os tratamentos, dificultando o seu acesso pela população mais vulnerável financeiramente e sem plano de saúde, pois nem sempre são realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Avançamos muito, sem dúvida, no tratamento de doenças crônico-degenerativas, a exemplo das cardiovasculares, endócrinas, renais e das neoplasias, mas infelizmente ainda não conseguimos grandes progressos no controle das doenças emergentes como a AIDS, das endêmicas como a hanseníase, a tuberculose e a esquistossomose, das transmitidas por vetores, como Zika, Dengue e Chikungunya e de outras viroses como o H¹N¹ (Influenza A), em razão de implicações epidemiológico-sociais, econômicas e ambientais. Em síntese, já convivemos com as doenças ditas da “modernidade” e ainda não conseguimos deixar de coexistir com as infecto-contagiosas e parasitárias.


Dessarte, no plano institucional, as preocupações que temos pela frente são enormes.O Sistema Único de Saúde (SUS), que tem a idade desta Academia, representa uma das grandes conquistas da sociedade brasileira. A síntese da nossa Constituição Cidadã é extremamente feliz e revela a sua extensão: “a saúde é direito de todos e dever do Estado”. Quase três décadas se passaram, contudo, desde 1988, sem que tenhamos sido capazes de tornar o SUS plenamente efetivo, sobretudo por força do seu subfinanciamento e, por certo também, de eventuais falhas de gestão.

A pergunta que nos angustia é como será resguardado o direito à saúde em todo o território nacional; se, em 2014 e 2015, o piso federal em saúde correspondeu, respectivamente, a 14,3% e 14,8% da Receita Corrente Líquida (RCL) da União e o orçamento do SUS já não havia sido suficiente para cumprir todas as necessidades da população em cada qual desses exercícios? Vamos confiar que o Congresso Nacional aprove o Projeto de Emenda Complementar  (PEC 01-A/2015),  que estabelece que a União deverá  aplicar de forma crescente 15% da sua receita corrente líquida em 2017, 16% em 2018, 17% em 2019, 18% em 2020, 18,7% em 2021 e 19,4% em 2022, sendo que este último percentual se tornaria referência mínima de aplicação para os anos subsequentes.

Enquanto se espera, o cidadão sofre, a cada dia e de forma cada vez mais trágica, a precarização dos serviços e ações públicos prestados no âmbito do SUS.

A grande mudança atual é que várias das novas tecnologias médicas digitais em desenvolvimento não apenas melhorarão os tratamentos, mas também os baratearão, tornando-os mais acessíveis. Tratamentos e técnicas de monitoramento antes disponíveis só em grandes centros médicos estão sendo transferidas para consultórios médicos e até para a casa ou o corpo do próprio paciente. Equipamentos, software e aplicativos de monitoramento à distância permitirão grandes avanços no tratamento de doenças cardíacas, asma e diabetes. Uso de tele-saúde permitirá grandes reduções de custo em tratamentos de rotina e psicológicos – o médico e o paciente não precisarão mais necessariamente estar no mesmo lugar para diagnósticos e tratamentos. Plataformas eletrônicas de monitoramento e aconselhamento ajudarão pessoas a modificarem seu comportamento, tornando, por exemplo, o combate à obesidade e ao fumo e melhoras de qualidade de vida mais baratas e eficientes.

Bem Confrades e Confreiras, Senhores Acadêmicos que ora estão sendo agraciados com o título de Eméritos, Senhores e Senhoras familiares dos Patronos e Fundadores desta Academia é hora de lhes desejar Parabéns! Feliz Aniversário! Academia Maranhense de Medicina, nos seus 28 anos de existência.


A Academia de Maranhense de Medicina, pautada nos seus ensinamentos, nos seus exemplos de sabedoria e entusiasmo, vem escrevendo a História da Medicina no Maranhão e contribuindo de forma dinâmica, por meio de seus pares, para seu aprimoramento.


Expresso o meu desejo que em 2016, ano que encerra o mandato desta Diretoria, cheguemos a bom termo nas proposições que prometemos encetar, nos fortalecendo cada vez mais institucionalmente, porquanto sermos um grupo cuja maior missão é o resgate e manutenção da nossa memória sobre os valores e a história da Medicina do Maranhão e dos médicos que nos dignificaram no passado e dignificam no presente com suas ações e realizações no nosso Estado. Mas que sejamos também a referência hipocrática ético-cristã.

Muito Obrigado !

HINO DO MARANHÃO!

Convido os Acadêmicos e Acadêmicas Fundadores deste Sodalício aqui presentes e os familiares dos Patronos e Fundadores in memoriam, para descerrarmos a placa em sua homenagem, um gesto simples, mas de grande valor simbólico e histórico para nossa medicina e para o coquetel que será servido em seguida.

Discurso Do Prof. Doutor José Márcio Soares Leite. Na Solenidade Alusiva Aos 29 Anos De Fundação Da Academia Maranhense De Medicina.

Ilustríssimo senhor Presidente do CRM/MA, Dr. Abdon Murad, ilustríssimo senhor Presidente da Associação Médica do Maranhão, Dr. Mauro César Oliveira, Ilustríssimos Confrades e Confreiras aqui presentes, Ilustríssimo Dr. Cláudio Araujo, que hoje será empossado Acadêmico nesta Casa, familiares e convidados dos Acadêmicos e Acadêmicas e do Dr. Cláudio Araújo, senhores profissionais de saúde, minhas senhoras e senhores.

Prometi a mim mesmo que faria hoje um discurso de apenas poucos minutos. Bem sei que se por um lado esse diminuto tempo, não se coaduna com a importância deste evento comemorativo dos 29 anos da Academia Maranhense de Medicina, que tenho a honra de presidir, por outro lado a sensatez nos induz a raciocinar que seriam necessários muitos dias para discorrer  sobre  tantos acontecimentos e fatos históricos que enaltecem esta Academia desde sua criação.

Nesse contexto, a primeira idéia que me ocorre é nos questionarmos reflexivamente. O que representou a criação desta Academia para a Medicina do Maranhão ? Sua Visão e sua Missão ? Qual tem sido seu papel durantes esses anos ?  

A Academia Maranhense de Medicina, tem a visão de lutar pela manutenção dos postulados éticos e médicos da Medicina no Maranhão. E tem como missão, resgatar a História da Medicina do Maranhão e de escrevê-la enquanto é construída. Nesse contexto, ao longo desses 29 anos de sua existência tem balizado suas ações nos seguintes princípios:

O primeiro deles, a HUMANIZAÇÃO DO ATO MÉDICO

Hipócrates, o pai da medicina, no livro Da Arte, que integra o Corpus Hippocraticum, define a Medicina e seu principal objetivo da seguinte maneira, segundo a tradução francesa de Littré e Inglesa de Jones…“curar algumas vezes, aliviar muitas vezes, consolar sempre”. Sobre a importância de preservação das conquistas médicas…“Na arte médica é fundamental o princípio de que as conquistas, que constituem o patrimônio do passado, devem servir de base às investigações do presente”.  

O Professor Ernesto Lima Gonçalves em seu livro Médicos e Ensino da Medicina no Brasil nos ensina que…“A Prática médica deve comprometer-se com o homem integral, indivíduo + pessoa, para que possa atingir seus objetivos reais. Ela deve, pois, procurar enxergar o homem em seus componentes físicos, químicos e biológicos, mas também nos componentes mentais e psicológicos, emocionais e afetivos, sociais e espirituais. Nessa linha a prática da medicina será sempre o encontro de duas pessoas, a saber:  o doente e o médico. 

No livro Medicina, Poder e Produção Intelectual, a professora Patrícia Maria Portela Nunes também aborda o tema, descrevendo em certo trecho…“Não obstante, não se pode tomar a competência médica como uma competência técnica, unicamente. A medicina também é uma arte: a arte da cura”. Complementando sua assertiva, citando o discurso de posse na Academia Maranhense de Letras do Dr. Salomão Fiquene (Patrono da Cadeira nº 38 da Academia Maranhense de Medicina), para quem…“Em medicina não é sempre fácil distinguir onde termina a arte médica e onde começa a ciência do mesmo nome. Quanto de arte em transplantar um coração perfeito e restituir a um condenado a alegria de viver? E consolar os aflitos, orientar os desajustados, retemperar as almas inseguras, reconstituir as personalidades transtornadas? E descobrir a doença, aliviar a dor, vencer o sofrimento”;

2- O segundo,  A FORMAÇÃO MÉDICA

A morbidade no Brasil hoje é representada em 70% pelas Doenças Crônicas Não Transmissíveis, de tratamento ambulatorial e continuado, para que se evite sua agudização, o que vai tornar quase obrigatório o emprego de especialistas e de procedimentos de apoio diagnóstico de alto custo, além da hospitalização. Desse modo, precisamos formar nas atuais Escolas Médicas um profissional médico, generalista, com competência, alicerçada em conhecimentos, habilidades e atitudes, com visão epidemiológica e social e que possa atender essa grande demanda de pacientes. A Avaliação do Estudante de Medicina durante a graduação tem que ser eficaz, teórico- prática. O ensino/aprendizagem de bioética e de deontologia médica são fundamentais, assim como sua inserção em programas de saúde e de extensão comunitária. Felizmente, depois de muita luta das Sociedades Médicas e da Sociedade Civil Organizada, foi aprovada a Diretriz Curricular 03/14 pelo MEC, com essas premissas. A especialização médica, também necessária, virá como um complemento, após a graduação, via Residência Médica;

3- O terceiro, A RELAÇÃO MÉDICO PACIENTE

O modelo hospitalocêntrico seguindo as diretrizes do Relatório do médico americano  Abraham Flexner, de 1910, basilou a formação médica no Brasil, durante todo século XX. Esse modelo tende a centrar os médicos no atendimento hospitalar, tecnicista, mecanizado com pouco tempo para o exercício da relação médico paciente. Precisamos compreender, que humanismo e tecnologia não são necessariamente antagônicos,  podendo até ser complementares. O mau uso de um ou de outro é que pode colocá-los em oposição, quando o ideal é conseguir o hibridismo de uma “tecnologia humanizada”;

4- O quarto, A ATENÇÃO, A GESTÃO E A EDUCAÇÃO EM SAÚDE

Protagonizamos o desenvolvimento de uma saúde integral, sem dicotimizar cura e prevenção, mas que englobe a promoção, a prevenção a cura e a reabilitação. O Brasil não tem recursos financeiros suficientes e muito menos ainda sua população, em que menos de 10% podem pagar por assistência médica, até 30% tem Plano de Saúde e  que 60% depende do SUS, para que se desenvolva o exclusivismo da assistência curativa, de alto custo. A Gestão em Saúde exige alta tecnologia, racionalização de gastos, compromisso social e a educação em saúde precisa ser permanente, utilizando todos os meios de comunicação social;

5- O quinto, A POLÍTICA DE SAÚDE NO BRASIL 

O Brasil precisa mudar sua política de saúde. O Sistema Único de Saúde-SUS, o maior programa médico social do mundo e que também está completando este ano 29 anos de sua criação, tem como um dos princípios basilares a integralidade da atenção, mas na prática desenvolve uma ação de saúde curativista, sustentada por uma tabela de pagamento de procedimentos que só cobre em média 40% dos custos reais desses procedimentos, ao que se soma que o retorno e o crescimento das doenças transmitidas por vetores, como Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela, nos fornecem uma clara sinalização, da política deficitária de vigilância em saúde e dos programas de saúde pública.

Esses princípios são perenes e a luta incessante, mas se fizermos uma retrospectiva de 29 anos para cá, veremos que valeu a pena a criação da Academia Maranhense de Medicina e  parafraseando o poeta português Fernando Pessoa, diria que… “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

Para o coroamento de todo esse processo, hoje estamos lançando o periódico O ESCULÁPIO, interagindo proativamente com o Sindicato dos Médicos do Maranhão-SINDMED. Esse periódico registrará nos seus diversos segmentos a congruência histórica entre o passado e o presente e será a grande fonte de pesquisa dos médicos do futuro.

Sede bem-vindo Confrade Cláudio Araújo.

Muito obrigado!

Discurso de Phil Camarão

(Saudação ao presidente da AMM, aos confrades e confreiras)

Senhoras e senhores, amigos, minha família!

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Na célebre frase de Guimarães Rosa, médico como nós, e tido como o maior escritor brasileiro do século XX e um dos maiores de todos os tempos, eu me vejo, consigo perceber quanta força e entusiasmo me sustentaram até aqui, mesmo diante das inúmeras injustiças e intempéries da vida ao longo de minha jornada na medicina, e também, como homem, pai, filho e cidadão. Lutas que me fizeram mais forte e corajoso.  

O amor à missão de ser médico, que nos foi outorgada, se manifesta em diversas formas e sentimentos, e entre esses, o que sempre me moveu foi a generosidade. Sem medir esforços ou esperar reconhecimentos, meu prazer sempre foi servir às pessoas com a medicina, proporcionar condições para que vivam bem e alegres. Por onde passei, nas esferas públicas e privadas, no mais pequeno lugarejo, ao atender a pessoa mais simples no anonimato de um consultório, sem holofotes ou investidura do cargo e posição social, o meu ofício sempre foi cuidar das pessoas. Quem me conhece sabe a que me refiro. 

Nas cadeiras da egrégia Academia Maranhense de Medicina (AMM), sempre vi seres humanos com a mesma motivação e égide, a da generosidade e, principalmente do amor ao próximo. Digo isso, não somente pela vívida acolhida que me proporcionam e pela escolha de minha pessoa para a cadeira nº 4, mas pela expressiva contribuição de cada um para que o mundo se torne melhor e pela oportunidade que a mim conferiram para ingressar em tão elevada convivência. 

Sei que além da convergência de atributos e faculdades, essa Casa representa a coroação de cidadãos que exprimiram, ao longo de suas vidas, no exercício da profissão, virtudes que em muitos casos, sobrepujaram as condições humanos, ao sacrificarem seus interesses próprios para verem outros nascerem e renascerem.       

Cabe-me, a partir de hoje, corresponder, integralmente, às diretrizes dessa Casa, dos meus confrades e confreiras, principalmente pela responsabilidade que tenho com o legado do patrono da minha cadeira, Antônio Henriques Leal, a quem reverencio nas palavras que seguem. 

Um homem de fortes ideais e de influência no seu tempo (1828 a 1885), seja na medicina, na política ou nas letras. Um maranhense que soube fazer jus à oportunidade que seus pais, Alexandre Henriques Leal e Ana Rosa Carvalho Reis, lhe conferiram com a formação médica no Rio de Janeiro. A história de Henriques Leal inspira devoção e propósito firme pelos cargos que ocupou e pela riqueza no que concerne à intelectualidade na atividade literária e à imprensa de sua época, cuja carreira iniciou com colaborador em “O Progresso”, no qual, posteriormente, foi redator. Em seguida, deu um salto maior, fundando o “A Imprensa”, junto com Fábio Alexandrino de Carvalho Reis e Antônio Rego, entre os anos de 1857 e 1861; redigiu também para o Publicador Maranhense, entre 1864 e 1865; também colaborou para o Conciliação. Todos esses periódicos de natureza política. Mas Antônio Henriques Leal foi além e deixou sua marca em jornais considerados literários e culturais, como: O Arquivo, O jornal de Instrução e Recreio e Seminário Maranhense e a Revista Universal Maranhense. E, mais tarde, já no final de sua carreira, foi diretor da Imprensa Nacional.   

Ser intenso nas atividades que desenvolvia, era parte de sua personalidade. Na literatura, foi autor de Pantheon Maranhense, três Tomos com ensaios biográficos de personalidades maranhenses de sua época; em 1862, escreveu a “Introdução” da obra “História da Independência da Província do Maranhão”, de Visconde de Vieira da Silva, e a “Nota Biográfica” no primeiro volume das “Obras de João Francisco Lisboa”, cuja edição foi feita em conjunto com Luís Carlos Pereira de Castro, em 1864. Cabe ressaltar que, em face da enfermidade, chegou ao ápice de sua produção literária ao editar, além de Pantheon, dois volumes dos “Apontamentos para a História dos Jesuítas no Brasil e Lucubrações”, com ensaios sobre temas relacionados à História, Literatura e Medicina. Também se destaca entre suas produções a Biografia de Antônio Marques Rodrigues, publicada já em Lisboa no ano de 1875. 

Senhoras e senhores, na história do meu patrono, vi um retrato da minha, sobretudo, pelos cargos públicos que ocupou, inclusive na política, onde exerceu um mandato de vereador em São Luís e presidente da Câmara Legislativa na legislatura 1865/1866 e, na seguinte, 1866/1867, foi eleitor para a Assembleia Provincial, onde também chegou ao cargo de chefia. Em São Luís, pertenceu ao Instituto Literário Maranhense, mais tarde ao Gabinete Português de Leitura, entre outras posições importantes. No Rio de Janeiro, onde faleceu, foi sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional e diretor do internato do Colégio Pedro II, onde ingressara como regente. Em Portugal, foi sócio da relevante Sociedade Médica de Lisboa. 

Portanto, vejam a responsabilidade que carrego a partir de agora ao assumir esta cadeira e ter como patrono um notável homem, que só abandonou sua posição e militância em virtude de suas limitações na saúde. Mesmo assim, ainda seguiu biografando e tecendo textos até o final de sua vida. 

Hoje, em meu coração, há um conjunto de emoções, entre elas, a gratidão e a saudade. A gratidão, pela família – esposa e filhos, nora e genros, e meus netos, bem maior que possuo. E saudade do meu irmão Tom Moses Camarão, Baby, e de meus pais – Felipe e Jean Camarão, amados e indeléveis mestres que me ensinaram valores e princípios com os quais cheguei até aqui, sempre honrando aqueles que de alguma forma passaram pela minha vida, meus mestres da Faculdade de Medicina, pacientes, amigos do peito, da minha infância e de tantos momentos onde alguns se tornam irmãos.

A vocês, meus confrades e confreiras, amigos da Medicina, aos quais rendo minha homenagem e consideração pelo respeitoso trabalho de vocês nas diversas esferas da sociedade, sempre fazendo do ser médico uma missão, um sacerdócio, assim como o fiz, sempre hei de agradecê-los pelos seus votos de confiança. 

À Academia de Maranhense de Medicina, ao nobre presidente José Márcio Leite que, com sua integridade e honradez conduziu o processo eleitoral, onde conquistei 82% dos votos que me trouxeram até este momento, para compor essas dignas fileiras.  Nesse sentido, também destaco o incentivo e apoio dos meus amigos e irmãos para chegar à Academia, do próprio José Márcio Leite e, em especial o meu primo, Luís Henrique Camarão Bacelar, a quem dedico essa vitória. Obrigado!

Este é o maior reconhecimento que recebo em toda a minha vida, poder compor este sodalício. Só me resta, neste momento, imbuído de emoções, agradecer a Deus por me proporcionar tão esplendorosa dádiva, e firmar aqui, diante da família, dos amigos, dos meus confrades e confreiras, o compromisso de lealdade e honra à investidura conferida por essa Casa de Netto Guterres.   

Muito obrigado! 

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