Doutor Sálvio Mendonça - Memória

Aldir Penha Costa Ferreira

O maranhense Sálvio de Sousa Mendonça nasceu na fazenda Juncal, município de Viana, lá pelos idos de 1892. Era filho, segundo suas próprias palavras, “de um vaqueiro, homem do campo, severo nos costumes e valente na ação, que recebeu apenas a instrução primária.”

Residiu durante algum tempo em Penalva, também na Baixada Maranhense, e depois retornou a Viana, onde recebeu as primeiras letras numa escolinha particular, em que a disciplina se impunha à base de bolos de palmatória e cocorotes (cascudos).

Mais tarde passou a residir em São Luís, tornou-se aluno do Liceu Maranhense e recebeu aulas particulares do seu conterrâneo Antônio Lopes.

No ano de 1913 seguiu para Salvador, Bahia, “onde os bondes – como em São Luís – eram puxados a burro”, e, em 1914 se matriculou na Faculdade de Medicina.

A sua permanência como estudante de medicina na capital baiana teve lances de aventura: morou em repúblicas de estudantes, enfrentou dificuldades financeiras e quase passou fome. ”Eu fiz o meu orçamento para os 15 dias que deveríamos passar … o que representava pouco mais de um tostão por dia”. E mais: “Estabeleci o meu ritmo alimentar com batata doce e banana prata… as batatas eram adquiridas por cem réis no tabuleiro da baiana ambulante… as bananas eram de menor preço, e por isso um tostão correspondia a sete bananas”.

O lado bom é que, em 1917, o estudante Sálvio Mendonça se tornou, a convite, auxiliar do famoso professor Clementino Fraga, no Hospital Santa Isabel, que era, na época, o hospital escola da Faculdade de Medicina da Bahia.

Doutorou-se em medicina no ano de 1919 e, no ano seguinte, retornou a São Luís. Foi hóspede do seu colega Hamleto Barbosa de Godóis, na Rua do Sol, no centro da cidade.

Por intermédio de Antônio Lopes conheceu e se tornou amigo de Jesus Norberto Gomes, proprietário da Farmácia Jesus, antes chamada Farmácia Galvão e depois Sanitária, na Rua do Sol, onde instalou consultório. Diz ele: “Jesus labutava dia e noite, e começou a ensaiar, na própria residência, o preparo de produtos injetáveis”. E mais: “Em 1922, estando já a Farmácia Sanitária em grande prosperidade, com seções de farmácia, drogaria e laboratório de produtos injetáveis, sugeri a Jesus que criasse também uma seção para o fabrico de águas gasosas e refrigerantes”.

Em 1925, “aceita a minha sugestão, Jesus, já instalada a farmácia em casa própria à Rua Nina Rodrigues, começou, no barracão no fundo do quintal, a fabricação de refrigerantes: Guaraná, Cola-Guaraná e Gengibre”.

Essa foi, sem dúvida, a semente do hoje famoso Guaraná Jesus.

Sálvio Mendonça foi médico do Serviço de Saúde dos Portos do Maranhão e, por ocasião de uma epidemia de peste, integrou a Comissão Federal encarregada de combatê-la. Foi também diretor do Hospital de Isolamento do Lira (bairro de São Luís). Mais tarde

se tornou Inspetor Sanitário Rural, e encarregado do Serviço de Profilaxia da Lepra e Doenças Venéreas do Maranhão. Em setembro de 1922, representou o Maranhão na Primeira Conferência Americana de Lepra, no Rio de Janeiro.

A partir de 1926, fez cursos na Alemanha e na Áustria, após o que retornou a São Luís “com grande material de consultório e, sobretudo, com a formação médica melhorada”.

Após a Revolução de 1930, Sálvio Mendonça se transferiu para o Rio de Janeiro. Trabalhou na Santa Casa de Misericórdia (Serviço do Professor Clementino Fraga) e, mediante concurso, (Docência Livre), se tornou professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil.

O dr. Sálvio Mendonça é patrono da Cadeira no 4 da Academia Vianense de Letras e da Cadeira no 39 da Academia Maranhense de Medicina.

Médico, titular da Academia Vianense de Letras e da Academia Maranhense de Medicina.

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