Osvaldo da Costa Nunes Freire

Do enlace matrimonial de Feliciano Antônio Freire com Olindina da Costa Nunes Freire nasceram os filhos Gerson e Osvaldo, netos pelo lado materno de Jefferson da Costa Nunes, prospero fazendeiro, coronel da Guarda Nacional e deputado à Assembléia Legislativa do Maranhão, nos tempos da chamada República Velha.

Após os primeiros estudos na cidade de Coroatá, onde a família também desenvolvia atividade agropecuária, os irmãos Nunes Freire vieram para São Luís.

Osvaldo concluiu o ginásio no Colégio Minerva, do professor Rubem Almeida, os preparatórios no Liceu Maranhense e seguiu para Salvador, onde prestou vestibular para medicina.

Em 1938, na Faculdade de Medicina da Bahia, Osvaldo recebeu o diploma de médico “especialista em partos – diagnóstico precoce da gravidez por processos biológicos, cuidados pré-natal, manobras obstétricas, fórceps, cesarianas com indicação – doenças das senhoras; operações da especialidade e gerais; eletricidade médica”.

No Rio de Janeiro, fez prolongados cursos de aperfeiçoamento em diversos hospitais e maternidades. Foi assistente do pronto socorro e da maternidade das Laranjeiras e segundo-tenente médico do Hospital Central do Exército.

O doutor Nunes Freire, nome o qual Osvaldo passou a ser chamado e conhecido pela vida afora, optou por exercer sua profissão em São Luís, montando consultório, em prédio próprio, na Ladeira do Comércio (atual Rua Humberto Campos), nº 185. Através do telefone 1883 atendia, a qualquer hora, chamadas de pacientes em seus domicílios.

Fazia cirurgias no Hospital Português, era médico do 24º Batalhão de Caçadores e das fábricas de tecidos Camboa, Santa Amélia e São Luís.

Em 1946, o interventor Federal Saturnino Belo nomeou o doutor Nunes Freire, diretor do Departamento de Saúde Pública, atual Secretaria de Saúde. No entanto, foi breve a permanência dele na função.

No ano de 1948, Nunes Freire contraiu núpcias com Delci Teixeira de Araújo, sobrevindo os filhos Luiz Carlos, Luiz Alberto e Francisco Luiz. A família residia na Rua do Passeio, nº 651.

No governo de Sebastião Archer da Silva, o doutor Nunes Freire foi nomeado diretor geral do Pronto Socorro Getúlio Vargas. Contando com o apoio de competente equipe médica, composta dos doutores Zilo Pires, Ives Parga, Joaquim Meneses, João Abreu Reis e Ivaldo Perdigão Freire, de qualificados enfermeiros, auxiliares de enfermagem e pessoal do administrativo, o doutor Nunes Freire conseguiu colocar o Pronto Socorro nos mesmos padrões dos hospitais existentes na cidade. Para tanto, ampliou o ambulatório, dinamizou o setor de emergência, duplicou o número de leitos, adquiriu aparelhos cirúrgicos modernos, comprou uma ambulância para atendimentos externos de emergência e transporte dos enfermos. Também, adquiriu uma mesa operatória própria para a realização de grandes cirurgias, ali efetuadas com êxito, salvando muitas vidas.

O médico Osvaldo da Costa Nunes Freire estreou na política do Maranhão, filiando-se ao partido situacionista, à época, o PST. Amigo de velha data do senador Victorino Freire, de quem não era parente apesar da coincidência do sobrenome, o Nunes Freire integrou, em 1950, a chapa de candidatos daquele partido à Assembléia Legislativa, obtendo expressiva votação.

Sem solução de continuidade das suas atividades médica, Nunes Freire foi deputado estadual no período de 1951 a 1967, pelas legendas do PST (Partido Social Trabalhista), do PSD (Partido Social Democrático) e da UDN (União Democrática Nacional).

Deflagrado movimento de 31 de março de 1964, o deputado Nunes Freire era presidente da Federação da Agricultura e do Serviço Social Rural, atual INCRA. E foi um dos primeiros, senão o primeiro parlamentar a emprestar, publicamente seu irrestrito apoio aos militares.

Extinto os 14 partidos políticos e instituído o bipartidarismo com Aliança Renovadora Nacional (Arena), situacionista, e Movimento Democrático Brasileiro (MDB), oposicionista, o deputado Nunes Freire filiou-se ao primeiro, de cuja comissão executiva regional foi vice-presidente. No inicio de 1966, foi eleito presidente da Asssembléia Legislativa do Maranhão.

Durante o longo mandato no parlamento estadual, exercido com dignidade e equilíbrio, o deputado Nunes Freire apresentou relevantes projetos sobre saúde pública e agricultura.

No pleito realizado em 03 de outubro de 1966, Nunes Freire foi eleito deputado federal, reelegendo-se em 1970. Na Câmara dos Deputados, manteve o mesmo padrão de comportamento que norteou sua passagem pela Assembléia Legislativa do Maranhão. Foi membro da Comissão de Agricultura, representando o parlamento brasileiro no México, Estados Unidos e Japão.

 A 3 de outubro de 1974, a Assembléia Legislativa do Maranhão, por maioria de votos dos seus membros, elegeu os candidatos homologados pela Convenção da Arena: Osvaldo da Costa Nunes Freire, governador e José Duailibe Murad, vice-governador, com mandato de 15 de março de 1975 a 15 de março de 1979.

No dia 15 de março de 1975, o governador Pedro Neiva de Santana, encerrando seu mandato iniciado em 15 de março de 1971, transmitiu a chefia do Poder Executivo ao vice-governador José Duailibe Murad, substituto legal do governador eleito, que se encontrava em Belo Horizonte, convalescendo de uma cirurgia.

A 31 de março, Osvaldo da Costa Nunes Freire tomou posse do cargo de Governador do Maranhão e cumpriu integralmente seu mandato com austeridade, equilíbrio, respeito à coisa pública, sem abrir mão das suas prerrogativas de governador.

Ao concluir o seu mandato, o governador Nunes Freire teve o cuidado de elaborar um relatório detalhado de todas as realizações do seu governo, as quais, com certeza, foram responsáveis, durante o quadriênio, por avanços no desenvolvimento do estado.

Não há aqui espaço para enumerar todas as incursões feitas nas áreas das Finanças, Planejamento, Administração, Educação, Cultura, Saúde, Saneamento, Habitação, Trabalho e Ação Social, Justiça, Segurança (Polícia Civil e Polícia Militar), Energia Elétrica, Transportes, Obras Públicas e Urbanismo, Agropecuária, Indústria e Comércio e Turismo, contando com recursos oriundos da Receita Estadual (elevada com a modernização da máquina fazendária e contenção de custos operacionais), do Fundo de Participação dos Estados, do Fundo Especial e de diversos Convênios celebrados com Órgãos Federais.

Mas há lugar para destacar algumas delas, como: construção de 5.113 casas nos conjuntos habitacionais: Cohab Anil IV (505), Vinhais (1632), Bequimão (1190) e Rio Anil (365). Inicio da construção do conjunto habitacional da Maioba (Maiobão), compreendendo 4770 casas; construção do matadouro industrial; instalação da usina de beneficiamento de leite; implantação de 572,5 km de rodovias, conservação de 2.500 km de rodovias, pavimentação de 411 km de rodovias; instalação da Ceasa destinada à comercialização de produtos hortifrutigranjeiros; aumento do efetivo da Polícia Militar de 1993 para 2.356 policiais militares, aquisição de 100 viaturas para a Polícia Militar e 25 para a Polícia Civil, criação do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças – CEFAP, instalação da Polícia Rodoviária Estadual, instalação de uma seção de combate a incêndio, unidade do Corpo de Bombeiros, no Aeroporto do Tirirical, instalação de sistemas SSB e VHF para permitir a comunicação permanente entre as diversas unidades físicas do Sistema de Segurança e entre 80 Municípios, conclusão das obras do prédio do Instituto Médico Legal, incluída a etapa destinada ao Instituto de Criminalística; ampliação do sistema de abastecimento de água e da rede de esgoto; ampliação do número de matrículas dos 1º e 2º grau, construção de salas de aula e de colégios; reequipamento do parque gráfico do SIOGE – Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado; aumento substancial de vencimentos salários, chegando mesmo a mais de 1200% em algumas categorias funcionais; consolidação das entidades de crédito estaduais BEM, BDM, COM; início da construção do hospital do IPEM, sendo que algumas dessas obras foram inauguradas com a presença do presidente da República Ernesto Geisel, que veio a São Luís, em 1978, atendendo convite do governador Nunes Freire.

Ainda como realizações do governo merecem destaque: campanhas de controle e erradicação de doenças transmissíveis, construção de postos de saúde, reforma de hospitais, implantação e funcionamento do sistema de serviços integrados de laboratório; ampliação e pavimentação das principais avenidas de São Luís.

No dia 15 de março de 1979, com o pagamento do funcionalismo em dia, com as finanças públicas saneadas, não deixando em ser nenhum débito vencido e como substancial saldo disponível no BEM, o governador Nunes Freire entregou a faixa governamental ao seu sucessor, João Castelo Ribeiro Gonçalves.

O doutor Nunes Freire nasceu no dia 6 de dezembro de 1911, em Grajaú, cidade sertão maranhense e partiu para a eternidade a 7 de junho de 1986, em Brasília, deixando mais pobre a galeria dos homens probos do Maranhão.

Rua São João, 265, Sala 402 – CEP 65010-600 
São Luís – Maranhão 
academiademedicinama@gmail.com