João Braulino De Carvalho

João Braulino De Carvalho

João Braulino de Carvalho, CRM 21 – MA, nasceu em São Vicente de Ferrer, em 16 de outubro de 1884, filho de João Braulino de Carvalho e Mariana de Mattos Borges de Carvalho, estudou no Seminário Santo Antônio e no Colégio do Professor Machado.

Formou-se em 1908 pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo a tese “TUMOR MALIGNO DA LARINGE E SEU TRATAMENTO”, abraçando as especialidades de Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrícia.

Depois de formado, trabalhou em Belém, capital do estado do Pará, na Santa Casa de Misericórdia, além de ter exercido a função de Delegado Sanitário Municipal.

Submeteu-se a concurso público para Médico Oficial do Exército Brasileiro, obtendo a 1ª classificação. Foi lotado no Hospital Central do Exército na cidade do Rio de Janeiro, onde exerceu o cargo de Auxiliar do Diretor em operações cirúrgicas e responsável pelo Pavilhão de Oficiais. No período, simultaneamente, especializou-se em Bacteriologia no Instituto Manguinhos.

Após quatro anos de serviço no Hospital Central do Exército, foi transferido para o 4º Grupo de Artilharia na cidade de Óbidos, interior paraense. Nesta cidade, construiu um posto de saúde e um pequeno hospital, que servia os municípios de Alenquer, Oriximiná e Faro. O referido hospital foi inaugurado em 07 de setembro de 1922 e recebeu o nome de Santa Casa de Misericórdia, que ainda hoje existe.

Em 1923, foi nomeado pelo Exmo. Sr. Presidente da República, Dr. Artur Bernardes, Médico da Comissão de Limites do Brasil com o Peru, Venezuela e Guiana Inglesa. Estabeleceu residência na cidade de Cruzeiro do Sul, antigo território do Acre, e nesta cidade do interior acreano, fundou outro hospital, dando-lhe o nome de Santa Casa de Misericórdia.

É importante ressaltar sua eficiência na Comissão de Limites. Na primeira expedição que comandou, desenvolveu um longo trabalho de preparação técnica, psicológica e física da turma de trabalhadores civis e militares envolvidos na importante operação. Os trabalhadores, homens de pouca instrução e cultura, na maioria eram pescadores, agricultores, leiteiros, castanheiros e seringueiros, foram recrutados em povoados ribeirinhos e principalmente na cidade Óbidos, no Estado do Pará. Todos eram obrigados a tomar vacinas, pílulas, água fervida e filtrada e a usar mosquiteiros, devido as endemias da região, e camisa de mangas longas, pois no ano anterior, quase que toda Comissão havia falecido por doenças tropicais e infecções. O Dr. João Braulino de Carvalho fez um trabalho excepcional, com fiscalização sistemática e cuidados médicos eficazes, foi recompensado com um resultado brilhante: a expedição obteve êxito em sua missão e nenhum civil ou militar faleceu durante a expedição. Um fato inédito!

Em 1929, após seis anos de dedicação exclusiva às atividades médicas na fronteira, pediu exoneração do cargo, permanecendo como médico do Exército Brasileiro. Recebeu na ocasião o título de Benemérito da Santa Casa de Misericórdia de Cruzeiro do Sul.

Após exoneração voluntária, foi aprovado em 1º lugar para o cargo de Oficial Médico da Missão Francesa no Brasil. Especializou-se em Pediatria e Higiene Infantil no Abrigo Hospital Artur Bernardes.

Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista, serviu como Oficial Médico em São Paulo, trabalhando nas ambulâncias de frente, destacando-se em diversas operações de confiança, em face do seu espírito conciliador e de extrema confiança entre os envolvidos no conflito, alcançou êxito em todas as suas missões.

Após o término do conflito, foi transferido para o 24º BC em São Luís, onde permaneceu até 13 de novembro de 1944, quando foi para a reserva do Exército Brasileiro.

Fixando-se em São Luís, instalou seu consultório particular na Praça João Lisboa, nº 66, e dedicou-se à filantropia. Das obras filantrópicas, destaca-se o desvelo à Colônia do Bonfim, principalmente aos filhos sadios dos hansenianos. AO lado do seu sogro, Dr. Anibal Andrade, um dos fundadores do Hospital Português e introdutor do primeiro RX do Maranhão, criou o Dispensário Santo Antônio, mantido graças à dedicação de sua esposa e dos sogros.

Foi Chefe da Clínica Cirúrgica, responsável pela Enfermaria São Cosme e Médico dos Indigentes durante 29 anos na Santa Casa de Misericórdia do Maranhão. Foi Presidente da Associação de Assistência e Proteção à Infância.

Foi Presidente da Cruz Vermelha Brasileira (Filial do Maranhão) e como tal iniciou a construção do Hospital da Cruz Vermelha, hoje Hospital Municipal Djalma Marques.

Instalou quatro Postos de Saúde nos municípios de Grajaú, São José de Ribamar e nos bairros do Desterro e João Paulo. Neste último, dava consultas gratuitas, duas vezes por semana.

Foi Secretário da Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra.

Foi membro da Comissão Estadual de Fiscalização de Entorpecentes no Maranhão e da Sociedade Entomológica do Brasil.

Atuou na política maranhense, elegendo-se Deputado Estadual e como tal, exerceu o cargo de Secretário da Assembleia Legislativa. Foi deputado constitucionalista em 1935.

Atuou nas áreas de Antropologia e Arqueologia, sendo o pioneiro em pesquisas no Maranhão. Foi o primeiro mestre de antropologia maranhense, sendo fundador da referida cadeira na Universidade Federal do Maranhão.

Foi Presidente do instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, para qual consegui inúmeros benefícios, inclusive, a sede própria doada pelo Exmo. Sr. Governador do Estado do Maranhão, Dr. Sebastião Archer da Silva. Conseguiu a edição da revista institucional e a formação de um museu arqueológico e uma biblioteca nas dependências da mesma.

Trabalhou em pesquisas de campo nos sambaquis maranhenses e na floresta Amazônica. Com Antônio Lopes visitou o Cutim-do-Padre escrevendo na revista do Instituo Histórico e Geográfico do Maranhão: NOTAS SOBRE A ARQUEOLOGIA DO MARANHÃO.

Relata escavações feitas na antiga Ilha Grande, quando foram resgatados inúmeros recipientes cerâmicos, destacando-se uma urna contendo cinzas e fragmentos ósseos.

João Braulino de Carvalho estendeu ao ensino sua ação profícua: Professor da Cadeira de Antropologia e Etnografia da Faculdade de Filosofia; Catedrático de História Natural, Botânica Agrícola e Zoologia Agrícola na antiga Escola de Agronomia; foi também Professor na Escola de Técnicos Agrícolas do Maranhão.

Indigenista, informou ao Governo Brasileiro populações indígenas ainda não identificadas; denunciou populações indígenas catequizadas, 125 índios Payanáwa em regime de escravidão no Seringal Barão. Traduziu o vocabulário indígena Curina, Poianau, Tutxiunaua e Marachushy índios que habitam a fronteira do Brasil com o Peru e com a Venezuela, para a língua portuguesa sendo reconhecidos internacionalmente.

Merece ser registrada a doação que fez ao Museu Nacional do Rio de Janeiro (a maior doação individual), a grande coleção de lepidópteros, proveniente do divisor de águas entre os rios Juruá e Ucayale, assim como de ofídios, batráquios e aracnídeos, colhidos no Paranacá, Javary e serra do Contaniano.


João Braulino de Carvalho escreveu e publicou os seguintes trabalhos:

– PROFILAXIA DO IMPALUDISMO;

– PRINCIPAIS MOLÉSTIAS REINANTES NA FRONTEIRA DO BRASIL COM O PERU;

– BREVES NOTÍCIAS SOBRE OS ÍNDIOS POIANAUS E VOCABULÁRIO POIANAU;

– ÍNDIOS CURINAS E SEU VOCABULÁRIO;

– ÍNDIOS TUTXIUNAUA E SEU VOCABULÁRIO;

– ÍNDIOS MARACHUSHY E SEU VOCABULÁRIO;

– A CIRURGIA GINECOLÓGICA NO MARANHÃO;

– JORNADAS MÉDICAS.


Recebeu as seguintes honrarias:

– Medalha Comemorativa do Centenário de Nascimento do Barão do Rio Branco (conferida pelo Ministério das relações Exteriores);

– Medalha de Guerra (concedida pelo Presidente da República, em 1950);

– Cruz de Distinção da Sociedade Cruz Vermelha (1953);

– Atribuição do seu nome à maternidade da Santa Casa de Misericórdia de São Luís (1960);

– Título de Presidente Honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão;

– Por proposição feita pela Câmara Municipal de Óbidos e aceita pela maioria, foi dado o seu nome a uma praça pública, como forma de agradecimento aos trabalhos prestados àquela cidade (1966).


João Braulino de Carvalho foi antes de tudo um filantropo. Foi médico-militar e sanitarista, ginecologista e obstetra, cirurgião e pediatra. Foi atuante naturalista, antropólogo e arqueólogo. Maranhense dotado de rara intelectualidade plural e eclética. Humanista continuará merecendo as homenagens eternas do povo de São Luís.

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