O Médico e a Política

O Médico e a Política

José Márcio Soares Leite

Perlustrando a relação dos Patronos de Cadeiras na Academia Maranhense de Medicina, que tenho a honra de presidir, constato a existência de grandes médicos maranhenses que abraçaram a política e tiveram mandatos na Câmara Municipal de São Luís, na Assembléia Legislativa, na Câmara Federal, no Senado da República, ou exerceram os cargos de Prefeito Municipal de São Luís ou de  Governador do Estado, como:Almir Parga Nina; Álvaro Serra de Castro; Antonio Henrique Leal; Antonio Jorge Dino; Achiles Farias de Lisboa; Clarindo Santiago: Carlos dos Reis Gomes Macieira; Djalma Caldas Marques; Fernando Ribamar Viana; Genésio Euvaldo de Moraes Rego; Joaquim Gomes de Sousa; José da Silva Maia; Lino Rodrigues Machado; Manuel Bernardino da Costa Rodrigues; Marcelino Rodrigues Machado; Odilon da Silva Soares; Oswaldo da Costa Nunes Freire; Otávio Passos; Pedro Braga Filho; Pedro Neiva de Santana e Tarquínio Lopes Filho.

Fico a refletir, o que teria levado tão ilustres médicos a incursionar pela política partidária e, recorrendo às pesquisas sobre o tema, deparo-me com o livro “Medicina, Poder e Produção Intelectual: uma análise sociológica da medicina no Maranhão”, da autoria de Patricia Maria Portela Nunes, objeto de sua dissertação de Mestrado em Políticas Publicas na UFMA (UFMA-PROIN-CS 2000), que em certo trecho questiona: “o que habilitaria o médico a ocupar cargos e postos na estrutura do poder, cujo atributo exigido, não remete ao saber médico stricto sensu, isto é, àquele referente à teoria cientifica das doenças, propriamente dita ? Quais atributos são imputados ao médico, de sorte a habilitá-lo tanto aos postos políticos, quanto aos cargos burocráticos?”.

Ela mesma responde que “A metáfora do corpo humano com a sociedade parece subsistir segundo o seguinte princípio: “quem cuida bem do corpo estaria habilitado a cuidar bem da sociedade. Há certo elemento de inconsciente coletivo que acaba funcionando para legitimar o médico no domínio do poder político: enquanto a política divide, a medicina soma, onde a política separa, a medicina une e onde a política distingue, a medicina aproxima”. Cita, ainda, em sua justificativa, o médico e cientista Achiles Lisboa, para quem “a analogia entre sociedade e organismo proporciona ao médico atuar tanto em relação à integridade da saúde individual, quanto em relação à integridade do bem estar coletivo”.

Atualmente, contudo, após os avanços da biologia molecular, da imunogenética, da imunohistoquímica, da imagiologia médica e da medicina por evidência, a visão do profissional médico voltou-se exclusivamente para a medicina científica, ou seja, para  tecnificação do ato médico, em que as ciências experimentais predominam sobre as ciências naturais e humanas.

Eis a razão por que observamos que praticamente está por extinguir-se o médico-político, que inestimáveis serviços prestou às comunidades, pois no curso da relação médico-paciente e ou de suas famílias, terminava por conhecer em muitas situações a triste realidade epidemiológico-social em que elas viviam e os fatores condicionantes e/ou determinantes do processo saúde-doença. O que observamos hoje é que  essas atividades político-administrativas passaram a ser assumidas principalmente pelos bacharéis em administração, direito e economia, com conhecimentos específicos voltados para essas áreas, sendo sempre oportuno, que sejam sempre balizadas pelo mesmo espírito humanitário, que norteava as ações do médico quando no exercício de tão nobres funções.

Médico. Professor Doutor da Pós Graduação do UNICEUMA. Presidente da Academia Maranhense de Medicina e  Membro da AMC, do IHGM, da APLAC, da SBHM e da FBAM.

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São Luís – Maranhão 
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